J.J. Abrams conta a história de origem de O Despertar da Força

Star Wars é algo especial para tantas pessoas que a mera ideia de criar algo novo nesse universo pode ser assustadora. E ainda assim, foi o que J. J. Abrams fez com o Despertar da Força.

Abrams co-escreveu o roteiro do Episódio VII com Lawrence Kasdan, que co-escreveu O Império Contra Ataca e O Retorno de Jedi. Esse não era o plano. Originalmente, Abrams foi escolhido pra dirigir, Kasdan consultando e o vencedor de Oscar Michael Arndt escrevendo o roteiro. Então como chegamos no roteiro que temos hoje? Em entrevista ao io9, J.J. conta:

“A primeira discussão que tivemos foi sobre sentimentos” disse Abrams no final de semana passado. “O que nós queriamos sentir com esse filme? O que queríamos que o publico experenciasse e  sentisse? Eu sei que isso soa um pouco idiota e óbvio, mas foi a coisa mais importante pra mim. O fundamento absoluto de “O que nós queremos que seja a experiência nos faça sentir?”

O time então falaram um monte de coisas: alegria, vibração, desgosto, felicidade, medo e espiritualidade. E isso os levou ao próximo passo.

“Por que estamos contando essa história mesmo? Se nós quisermos nos sentir desse modo, como podemos fazê-lo? Quem são esses novos personagens? Porque isso teria que ser uma nova história sobre novas pessoas. E isso sobre tentar apresentar esse sentimento.” ele disse.

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Abrams confirmou que o criador de Star Wars, George Lucas deu alguns esboços para os filmes antes que Abrams entrasse a bordo, mas “Disney determinou que eles queriam ir numa direção diferente.” Essa direção foi desenvolvida nos próximos seis a oito meses – basicamente a maior parte de 2013. Ele, Kasdan, Arndt e outros criaram uma estrutura e muitos elementos que todos amaram, mas Abrams disse: “Algumas coisas ainda estão sem solução.”

Nesse ponto, eles meio que encontraram obstáculos. Ardnt – quem Abrams descreve como um “cavalheiro preciso” – disse que ele precisava de 18 meses para finalizar o roteiro. E ele tinha apenas seis.

“Apesar do meu absoluto desejo de dirigir o roteiro que Michael Ardnt tinha escrito, eu percebi que não tinha o tempo necessário.” disse Abrams. “Kathy [Kennedy – Presidente da Lucasfilm] não tinha tempo. Disney não tinha tempo. E então eu sentei com Larry e disse: “Olha, há algumas coisas da história que eu sei que estão certas. E eu acredito que nós podemos responder as perguntas que ainda precisam ser respondidas se nós escrevessemos isso juntos.”

Kasdan aceitou, mas porque ele estava agora entrando a bordo com uma posiçõa diferente, ele decidiu que queria começar do zero.

“Pelo espírito de Larry, ele queria começar do zero.” E abandonar o roteiro que eles tinham trabalho com Arndt, Abrams disse: “E eu disse a ele: Olha, nós vamos começar a reincorporar muitas coisas bem rápido porque eu sei que quero essa jovem mulher como o centro dessa coisa. Eu sei que quero que esse Stormtrooper abandone seu posto.” Há apenas alguns principios fundamentais que n´so criamos com Arndt que vão ficar.”

“É mais ou menos isso que aconteceu durante toda a experiência desde os primórdios” adiciona Abrams: “Indo pra trás e pra poder ir adiante.”

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Uma instância que eles não voltaram, no entendo, tinha a ver com as sequências de O Retorno de Jedi no Universo Expandido. Naquele mundo, haviam muitas histórias do que tinha acontecido com Luke, Han, Leia e seus filhos e mais. Mas Abrams percebeu rapidamente que aquelas histórias tinham que ser jogadas fora.

“Ficou bem claro que se fossemos aderir ao Universo Expandido, seriam águas muito estreitas para navegar”, disse Abramas. “Não estava muito claro o que era canon no Universo Expandido. E eu não acho que a maioria dos fãs de Star Wars sequer leram um livro de Star Wars. Não podíamos tentar agradar cada um dos fãs daquele universo primeiro. Nós tinhamos que tentar e contar a melhor versão de um filme de Star Wars.”

Com isso dito, Abrams adminitu que eles não necessariamente tinham jogado fora tudo.

“Eu pensei “se ideias que chegassem e sentíseemos que elas sobrepusessem e funcionassem, ótimo.” disse ele. “Mas não podíamos aderir a algo que é tão vasto [quanto o Universo Expandido] e francamente é pouco conhecido do que os filmes.”

Embora, coisas “menos conhecidas” foi a chave para fazer O Despertar da Força se equiparar com os filmes originais.

“O fato de que o primeiro filme era essencialmente o Episódio IV diz alguma coisa.” falou Abrams. “O que George Lucas fez no  primeiro filme é algo inigualável. E uma das coisas mais grandiosas que ele fez foi não explicar o que eram os tempos sombrios. Ele não explicou o que era o Senado exatamente. Ele não explicou o que foi as Guerras Clônicas. Ele não explicou o que eram as fazendas de umidade. Quero dizer, quase nada.”

“Eu acho que o que Larry Kasdan me ensinou acima de tudo foi “Não trabalhe tanto”, continua Abrams, “Confie no público, confie que os personagens e o público vão sentir mais se menos você explicar coisas pra eles. E o desafio é sempre fazer isso satisfatório e claro não sentir que você está ouvindo um sermão.”

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