J.J. Abrams comenta sobre a conexão com Episódio 8, o elenco e muito mais!

A Wired Magazine sentou-se com o diretor J. J. Abrams para falar sobre os desafios de dirigir um filme de Star Wars, quais são as conexões com Rian Johnson (diretor de Episódio VIII), John Williams, o novo elenco e muito mais. Confira:

J.J.-Daisy

Wired: Como você está se sentindo? Parece que foi ontem o seu anúncio como o diretor do Episódio VII.

J.J. Abrams: Bem! É uma coisa louca, certo? Eu mal posso esperar para que as pessoas vejam o filme. Estamos assando este bolo por um longo tempo, e agora é hora de servi-lo.

Wired: O quanto de TFA é voltado para acolher as pessoas de volta para a franquia Star Wars contra começar algo completamente novo? Como você encontra um equilíbrio entre esses dois imperativos?

J.J. Abrams: Nós queríamos contar uma história que tinha o seu próprio começo, meio e fim, mas, ao mesmo tempo, como em Uma Nova Esperança, termos implícita uma história que a precedeu e também sugerir um futuro a seguir. Quando Star Wars foi lançado era um filme que tanto permitiu o público a compreender uma nova história, mas também pensar em todos os tipos de coisas interessantes que poderiam ter acontecido. Nesse primeiro filme, Luke não era necessariamente o filho de Vader, ele não era necessariamente o irmão de Léia, mas era possível. O Despertar da Força tem essa vantagem incrível, não apenas de uma base de fãs apaixonados, mas também de uma história de fundo que é familiar para muitas pessoas. Temos sido capazes de usar o que veio antes de uma maneira muito orgânica, porque não tivemos que reiniciar tudo. Nós não tivemos que surgir com uma história de fundo que faria sentido; está tudo lá. Mas esses novos personagens, encontram-se em novas situações então mesmo se você não sabe nada sobre Star Wars, você está ali com eles. Se você é um fã de Star Wars, o que você já experimentou, agregará valor.

Wired: Você mapeou a história com Lawrence Kasdan, que co-escreveu O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi. Ele disse recentemente que suas próprias experiências de vida, e o espaço de tempo não trabalhando em Star Wars preparou-o para trabalhar neste filme. Houve momentos de sua vida ou de seu próprio trabalho a partir do qual você se inspirou?

J. J. Abrams: Eu tentei não esquecer os erros que eu tinha feito, mas eu também tentei me concentrar em coisas que eu acho inspiradoras sobre cinema. Fiz perguntas como “Como é que vamos tornar este filme incrível?” Isso foi realmente o único requisito que Larry e eu impostamos: O filme precisava serincrível. Não se tratava de explicar tudo, não seria sobre introduzir um certo número de brinquedos para uma corporação, e nem uma tentativa de apaziguar alguém. Isto só foi sobre o que nos deixa animados.

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Wired: Uma coisa que eu sei sobre você é que você ama um mistério. Você gosta de surpreender o público. Como você se sentiu sobre os teasers, de revelar partes do filme, falar sobre e comercializá-lo, contra permitir que a história se desdobre em seus termos?

J. J. Abrams: Eu dou crédito franca e surpreendentemente às pessoas incríveis da Disney, especialmente Alan Horn [presidente da Walt Disney Studios] e Bob Iger [CEO da Disney]. Bob tem sido incrivelmente colaborativo e de apoio total a este processo. Quando se tratava de marketing, eu estava esperando a Disney querer colocar para fora uma superabundância de material. Mas eles têm sido extremamente relutantes em fazer isso. Eles querem que isso seja uma experiência para aqueles que irão assistir ao filme. E eu sou grato por isso.
Há um lado muito positivo para manter o silêncio. Você pode proteger o público de spoilers ou certos momentos que, de certa forma, possam estragar a experiência do filme. Mas, por outro lado, o risco de ser visto como tímido ou como um idiota retido na fonte. Isso nunca é minha intenção. Porque a Lucasfilm está tão envolvida com os fãs e tão próximos quanto ao que estão fazendo, seria inconsistente não mostrar nada até pouco antes do filme. Na verdade, eu pessoalmente quis um teaser um ano antes só porque parecia que, como um fã de Star Wars, se eu pudesse ver até mesmo a menor coisa sobre o filme, eu ficaria empolgado um ano inteiro. Por que não? Então nós fizemos.
Mas eu não quero destruir muitas ilusões. Nós estamos andando numa corda bamba. Se você cair em um lado não é bom, porque nós estaríamos mostrando demais. Se você cair no outro lado não é bom, porque não estamos mostrando nada e nós somos vistos como idiotas arrogantes.

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Wired: Você pode ver como o universo se torna tão grande tão rapidamente, primeiros brinquedos e jogos e, em seguida, Episódio VIII e IX, com diretores Rian Johnson e Colin Trevorrow vindos a bordo. Eu sei VIII é o filme de Rian, mas que você criou, sem dúvida, questões de história em Episódio VII que têm de ser abordadas. Você sabe como as respostas irão ser jogadas? Ou aqueles momentos que serão resolvidos?

J. J. Abrams: O roteiro de episódio VIII está escrito. Eu tenho certeza que reescritas vão ser intermináveis, como elas sempre são. Mas o que Larry e eu fizemos foi criar certas relações de chave, certas questões fundamentais, conflitos. E sabíamos onde certas coisas estavam indo. Tivemos reuniões com Rian e Ram Bergman, produtor de episódio VIII. Eles estavam assistindo copiões quando estávamos filmando nosso filme. Queríamos que eles fossem parte do processo, deixar a transição para seu filme tão simples quanto possível. Mostrei para Rian um corte inicial do filme, porque eu sabia que ele estava fazendo a sua reescrita e se preparando. E, como produtor executivo do VIII, eu preciso que o filme seja realmente bom. Retenção não serve a ninguém e certamente menos aos fãs. Então, nós temos sido tão transparentes quanto possível.
Rian pediu um par de coisas aqui e ali que ele precisa para a sua história. Ele é um cineasta extremamente talentoso e um escritor incrivelmente forte. Assim, a história que ele contou tomou o que estávamos fazendo e foi na direção que ele sentia que era melhor, mas que está muito alinhada com o que nós estávamos pensando. Mas você está certo, será o filme dele; ele vai fazê-lo na forma como lhe aprouver. Ele não está pedindo e nem precisa de mim para supervisionar o processo.

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Wired: Então: John Williams!

J. J. Abrams: Oh meu Deus! Primeiro de tudo, esqueça o seu talento e sua realização. Como pessoa, ele é o cara que você quer saber mais do que ninguém. Ele é a alma mais doce que eu já conheci. Ele é este jazzman que se tornou um dos maiores compositores de todos os tempos. Ele literalmente te chama de “Baby”! Tipo, “Hey, baby.” Ele me chama de “J. J. Baby”. Eu esperei minha vida toda para encontrar alguém que me chame assim!
Ele trabalha em lápis. Você vai para a sua casa e o escuta tocar notas no piano, e enquanto você está ouvindo, você extrapola pensando o que vai ser quando você ouvir a melodia com uma orquestra. É inesquecível, uma coisa verdadeiramente milagrosa de se ver. Ele tem cada uma de suas composições encadernados em couro. Eu ficava tipo: “Você se importa se eu…?” e ele “Não, vá em frente!” Então eu peguei a partitura do filme Tubarão, e com certeza, lá estava à lápis no papel: Baaaa-bum, baaaa- bum. Você fica tipo: “Bem, isso é o que ele escreveu!” É como se você estivesse saindo com Mozart, que orquestrou os seus filmes favoritos.
Eu sei que todo mundo sabe disso, mas quando você realmente pensa sobre o que ele compos, é tão importante quanto qualquer outra obra que já foi feita em qualquer um desses filmes. Quando você pensa em Superman e Indiana Jones e Tubarão e Contatos Imediatos, que saiu no mesmo ano que Star Wars, e depois os filmes de Harry Potter? Ele é apenas sobre-humano! É inacreditável que ele é tão brilhante e ainda modesto! É apenas uma coisa incrível conhecer esse cara.

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Wired: Grande parte deste elenco não era nem nascido em 1977. Como você transmite o legado da significância de Star Wars para as pessoas como você e eu? Ou isso é um fardo que você tentar evitar?

J. J. Abrams: É uma coisa muito estranha, quando você pensa sobre ter nascido em um mundo onde [Star Wars] apenas existe. Apesar de terem nascido recentemente, essas crianças sabiam sobre e compreendiam Star Wars de uma maneira que todos nós compreendemos; eles simplesmente nasceram para isso ao invés disso simplesmente ir acontecendo durante a sua vida. A chave para lançá-los foi encontrar pessoas que foram capazes de fazer tudo. Quando você pensa sobre tudo o que esses personagens passam, não só neste filme, mas sabendo que seu trabalho vai continuar, essas pessoas precisam ser portadoras dignas desse fardo e que tenham a oportunidade de continuar a contar a história. Eu penso sobre os filmes de Harry Potter, é inacreditável a maneira que eles escolheram o elenco para os filmes da forma como fizeram. E para quê, oito filmes?! Isso foi um milagre. Eles precisavam ser capazes de fazer tudo, e conseguiram!
Sabíamos que não estávamos escolhendo para apenas um filme. Estávamos para pelo menos três. Isso, para mim, foi o maior desafio. Quando nós encontramos Daisy Ridley, John Boyega, e, em seguida, Oscar Isaac e depois Adam Driver veio a bordo, estávamos realmente animados. E sim, Daisy e John podem trabalhar juntos, mas o que acontece quando Harrison entra na mistura? Como vai ser? Se não der certo será um puta de um desastre! Sim, BB-8 é um grande personagem, surpreendentemente manipulado, mas o que vai acontecer quando ele está de repente em uma cena com C-3P0 ou R2-D2? Será que vai parecer estranho? Será que vai parecer errado? De alguma forma, isso não aconteceu. Quando Anthony Daniels [C-3PO] me disse: “Oh meu Deus, eu amo BB-8!” Eu disse: “Nós vamos ficar bem.” Porque se ele está ok, está funcionando.

Anthony-Daniels

Wired: C-3P0 aprova.

J. J. Abrams: Ou vendo a doçura entre Han e Rey ou a tensão e comédia entre Han e Finn. Foi realmente emocionante poder dizer: “Essas cenas estão funcionando!” Nós trabalhamos muito duro para escolher o elenco e para escrever e para colocá-lo todos juntos, mas você simplesmente não sabe até que você começa a filmar. Então, de repente, você está no set e você sabe. É um pouco como ter uma festa e ter amigos de sua nova escola e amigos de sua antiga escola, e você pensa: “O que vai acontecer?” E de repente eles estão se dando muito bem e a festa é muito divertida! Era um monte de trabalho, mas acabou sendo ótimo.

 

Wired: Então, o que vem depois? Eu sei que você esta pensando em todas essas novas ideias quando Kathy Kennedy chamou você para este trabalho.

J. J. Abrams: Minha mãe costumava ter esta mania enquanto almoçávamos, ela perguntava: “Então o que você quer para o jantar?” E eu dizia: “Mãe! Estamos almoçando. Estamos literalmente apenas começando a comer o almoço.” Eu sinto que eu só preciso terminar meu almoço. Agora, eu só quero mostrar esse filme para o mundo!

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3 comentários

    • Bruno Praça em 10/11/2015 às 4:30

    Entrevista muito legal

    • Laura Mello em 10/11/2015 às 0:47

    Pena, que ele não falou sobre o Mark Hamill ( Luke Skywalker)

    • Mike Martin em 09/11/2015 às 20:46

    Muito bom!

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