Iniciando uma Rebelião #9 – s02e01 – The Siege of Lothal

A segunda temporada de Star Wars Rebels se iniciou como a primeira: um episódio duplo. E desta vez, conforme Dave Filoni e Simon Kinberg (produtores executivos) fizeram questão de falar, se o clima do início da série tem um clima A New Hope, agora o clima se parece com The Empire Strikes Back. E temos  participação de Darth Vader. Venha conosco para a nossa despedida de Lothal.

Lembrando sempre que este review assume que você já viu o episódio ou que não se importa de ler spoilers.

Clique aqui para os episódios anteriores.

Curiosidades:

  1. Este episódio são, na verdade, dois episódios com códigos de produção 201 e 202, que foram tiveram seu primeiro rascunho por Henry Gilroy em maio de 2014. O tema do episódio é “às vezes você não pode ir para casa, mas pode achar uma nova”.
  2. Nesta segunda temporada, Ezra tem as marcas que ganhou em seu duelo com o Inquisidor.
  3. Nas primeiras versões, o Comandante Sato se chamava Fells. Sua voz é feita por Keone Young (de quem eu, sinceramente, nunca ouvi falar).
  4. Nas versões iniciais, o Governador Pryce, que nunca apareceu na série, seria o sacrificado por Vader para incriminar os rebeldes e a Ministra Tua seria promovida para Governadora.
  5. A versão inicial também continha Morad Sumar, amigo dos pais de Ezra que apareceu anteriormente, que descreveria a situação de Lothal e depois ficaria chocado ao saber que Ezra participou do “assassinato” da Ministra.
  6. A primeira versão do script é datada de 17 de junho de 2014 e tinha Lando Calrissian em sua fazenda. A segunda versão, de 8 de julho de 2014, substitui Lando por W1-LE na fazenda, mas mantém a participação do personagem clássico via holograma.
  7. Com a doca extendida, uma blockade runner (as naves do modelo da Tantive IV de A New Hope) podem carregar 3 A-Wings.
  8. As marcas de batalha que Sabine carrega em sua armadura irão inspirá-la a repintar sua armadura e mudar seu visual.
  9. Algumas A-Wings tem a pintura similar ao conceito original de Ralph McQuarrie para ROTJ.
  10. A nave de comando do Comandante Sato é uma antiga fragata médica das Clone Wars. Depois que ela é destruída, Sato transfere seu comando para a blockade runner Liberator.
  11. A cena em que Vader fala com o Imperador foi adicionada após o segundo rascunho a pedido de Dave Filoni. A voz do Imperador é feita por Sam Witver, eterno Starkiller de The Force Unleashed, além de Darth Maul e o Filho em The Clone Wars.

Opinião do M’Y: Poucas coisas são tão boas como ter a experiência de uma grande história de Star Wars sendo contada. KotOr, os arcos de episódios de The Clone Wars em Umbara, a partida de Ahsoka, Yoda e a Força na 6ª temporada, os livros da trilogia de Thrawn (cujos dois primeiros foram relançados no Brasil pela Editora Aleph) são alguns exemplos dentre a vasta gama de lançamentos de Star Wars. O próprio método mercadológico que a Lucasfilm utiliza desde a década de 1990, que consiste de inundar o mercado de opções para todos os gostos, implica que muito do material não atingirá nem a qualidade nem a fama que Star Wars merece. The Siege of Lothal parece que pode entrar neste Olimpo galáctico.

No (ainda) não resenhado episódio final da 1ª temporada, tivemos: a morte do Inquisidor após um duelo que lembrou bastante o de TPM durante a missão de resgate dos rebeldes de Lothal para retirar Kanan das mãos imperiais de Tarkin em Mustafar, a aparição de uma pequena frota rebelde (com 3 blockade runners) para salvar a pele na última hora, Fulcrum se revelando como ninguém menos que Ahsoka Tano e a chegada de Vader à Lothal.

O novo episódio já começa no meio de uma batalha espacial algum tempo depois, onde os rebeldes, incluindo o esquadrão Phoenix (Fênix) e suas A-Wings estão tentando roubar combustível para a célula rebelde a que eles agora pertencem. A primeira curiosidade a se notar é que o Império ainda usa algumas naves das Guerras Clônicas. Os cruzadores da classe Gozanti (sim, eu sei que esse nome não é legal) são tão antigos que havia um em Tatooine pelo menos 27 anos antes dessa batalha, além de terem sido usados tanto pelos Separatistas quanto por Darth Maul quando este tentou ser o terceiro lado das Guerras Clônicas.

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Outra nave das Clone Wars é o cruzador da classe Arquitens, que chega depois na batalha e se assemelha a um Star Destroyer diminuto, existe desde a segunda temporada de The Clone Wars. É claro que o fator orçamento influi nessas escolhas, visto que os modelos 3D já estão prontos. Porém, é de se notar que estamos falando de um mamute adormecido, que não teve inimigos nos últimos 15 anos e se deu ao direito de substituir Clone Troopers altamente efetivos por soldados mal treinados (vimos esta diferença gritante na primeira temporada em Breaking Ranks). Isto tudo implica que faz sentido que o Império reutilize naves antigas ou não se preocupe em atualizar os modelos – bastante como a Volkswagen fez com a Kombi no Brasil por mais de 50 anos.

De volta a Lothal, Agente Kallus e Vader cobram “delicadamente” a Ministra Tua sobre a incapacidade dela de encontrar os rebeldes. Pouco depois os rebeldes são contactados pela Ministra pedindo socorro para sair de Lothal em troca de uma lista de simpatizantes rebeldes. Curiosamente, Tua diz ainda que há uma outra informação: o que teria levado o Imperador em pessoa a ordenar a presença ostensiva de imperiais no planeta. Acaba sendo Ezra que define que eles resgatarão Tua, o que Ahsoka, Kanan e Sato concordam. Agora, alguém explicou para a Hera que não se fala o nome da pessoa quando se está em uma transmissão com o inimigo? Curiosamente é ela que 30 segundos depois dá uma enorme bronca em Kanan por ter autorizado Chopper a aceitar o DDD galáctico sem autorização do comandante.

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Kanan está extremamente incomodado e irritado por estar entrando em uma organização militar, lembrando do início dos dois (que você poderá ler em Um Novo Amanhecer, que a Aleph lançará ainda esse ano no Brasil) e obviamente com medo do que aconteceu aos Jedi. Seguem então os rebeldes para Lothal em um “ônibus galáctico” pilotado por Chopper. Eu sempre acho extremamente engraçado quando os planos são explicados DURANTE a missão, principalmente após eles virarem parte de uma organização maior.

Ao chegar em Lothal, Ezra sente um grande frio e ainda nota que nunca viu tantos Star Destroyers em Lothal. Kallus acompanhou a ministra Tua para garantir que ela chegasse “em segurança” em sua nave. Em meio ao ataque rebelde, Ezra – sem querer – manda Tua para sua morte ao pedir que ela entrasse na nave e os esperasse lá. Quando a nave explode, Kallus solta um “vocês fizeram isso” pouco convincente, mas com certeza filmado pelo dróide que o acompanhava. Isso deu aos rebeldes apenas a opção de tentar fugir, mas a Star Commuter 2000 não foi feita para fugas.

O Império informa a população do assassinato de Tua pelos rebeldes e Vader ordena que qualquer nave que tente partir seja destruída. Não vemos a reação do povo do planeta, mas sabemos das curiosidade do site oficial que não foi necessariamente boa. A situação apenas piora quando a casa de Ezra é destruída e sobra apenas o louco plano de roubar uma nave do complexo imperial para fugir. O plano de Kanan faz sentido: com os stormtroopers empenhados em encontrá-los pelo planeta, há menos soldados na base – o óbvio problema é que um dos generais mais experientes das Guerras Clônicas comanda o inimigo: Anakin Skywalker.

Temos ainda uma divertida cena onde Ezra tenta usar um mind trick em um trooper e não funciona, apenas para ser salvo por Kanan, que ainda diz que gostaria que mind tricks funcionassem em Ezra, além de Zeb não aguentando seu próprio cheiro. Uma das coisas que me incomoda nessa série é que ela considera a abertura de portas algo apenas mecânico em instalações militares extremamente avançadas, quando nem a empresa onde eu trabalho permite isso.

Ao encontrarem uma nave, estrategicamente posicionada para não ter ninguém em volta e com geradores de escudo parados ao lado, Ezra e Kanan sentem o mesmo frio anterior, escutamos uma respiração e ali está Vader, parado com o sabre-de-luz em mãos. A batalha que se segue é bem menos acrobática do que nos acostumamos desde 1999, sendo bem mais próxima da TC. Esta foi uma escolha acertada e deliberada do time de Dave Filoni para manter Vader como o personagem que já conhecemos. Seria possível transformar Vader em um cara com as habilidades dos Jedi e Sith que já apareceram nas duas séries de TV, mas transformaria ele em alguém que não conhecemos.

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Em inúmeros momentos Vader poderia ter despachado mestre e aprendiz, mas não o fez. É difícil saber se Vader estava apenas prolongando o duelo, algo que provavelmente não ocorre faz tempo, ou se era apenas parte do plano maior. Possivelmente uma mistura dos dois, visto que bastaria um rebelde vivo para que o plano de Vader seguisse. Para a sorte de Kanan e Ezra, Sabine adora explodir coisas e dois AT-ST são jogados em cima do Sith, que sai praticamente ileso, surpreendendo o aprendiz. Sabine ainda tenta atirar, mas recebe os dois tiros de volta em sua armadura e no capacete. Kanan explica que aquele não era um Inquisidor, mas algo muito pior: um Lorde Sith, antigo inimigo dos Jedi. E eles não tem como vencer uma batalha contra ele.

Enquanto Vader ordena que Kallus queime o campo de refugiados de Tarkintown, Hera entra em contato com o maior galã da galáxia para que ele os tire do planeta. Lando está fora de Lothal, mas concorda em ajudar em troca de metade dos geradores de escudo, enviando-os para a sua fazenda para encontrar W1-LE, seu dróide de protocolo.

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Isso é quando vemos ao fundo a fumaça de Tarkintown, levando Ezra a correr em direção ao local e descobrindo que os refugiados são agora prisioneiros do Império – embora eu confesso que esperava todos mortos. Também achei estranho a conversa sobre eles serem os dois únicos Jedi restantes se Ahsoka faz parte do círculo de amizades deles. Alguém poderia argumentar que o treino de Ahsoka foi interrompido e ela saiu da Ordem, mas até aí o treino dela é maior que o de Kanan e de Ezra e nenhum dos dois faz parte da Ordem também.

Com alguns transponders soltos emitindo o mesmo código da nave, o plano rebelde é confundir o Império e escapar na confusão, o que acaba dando certo. Dentro da Ghost a discussão acaba sendo sobre o futuro: Kanan e Sabine gostariam de continuar apenas a Ghost, enquanto Hera e Zeb são a favor de seguir com a Rebelião – Zeb considera o Esquadrão Phoenix como algo similar à Guarda de Honra do planeta Lasan, da qual ele fez parte. Ezra acaba sendo novamente o voto definidor, de estar na frota rebelde. Curiosamente, o código da equipe de Hera é 181215, data da estréia de The Force Awakens.

A nave deles obviamente foi seguida, e o seguidor é Vader, melhor piloto da galáxia. Oito membros do esquadrão Phoenix contra um Sith Lord. Phoenix 1 e 2 são abatidos logo e a equipe da Ghost junto com Ahsoka parte para ajudar enquanto mais dois membros do esquadrão se unem à Força. A nave de comando Phoenix Home sofre avarias demais e perde o hiperdrive, enquanto Ahsoka e Kanan tentam descobrir quem é o atacante.

“A APRENDIZ VIVE!”

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Ahsoka desmaia e o episódio deixa em aberto se ela sabe quem é Vader (embora eu suspeite que saiba), mas ele sabe quem é ela. A nova descoberta o faz mudar o alvo. Um dos sobreviventes do esquadrão Phoenix entra na lista de mortos enquanto o Vader persegue a Ghost e alguns Star Destroyers chegam para ajudar. Hera parte em direção à eles, dando a possibilidade da frota fugir. O curioso é que, se você prestar atenção, os números não batem: no início do episódio existem a nave de comando e mais 5 blockade runners, porém apenas 3 fogem; 8 A-Wings começam o ataque, quando 4 foram destruídas, apenas duas acompanham a Ghost, quando Vader mata o 5º e 3 deveriam estar vivos, novamente 2 acompanham as blockade runners.

Como Vader ordenou que queria os rebeldes vivos, o Almirante Kassius Konstantine pede para que o raio trator seja ligado e segure a Ghost, porém a velocidade de Hera faz com que Vader seja pego no lugar da nave rebelde – coitado do oficial que cometeu o erro.

Ao fim, a frota rebelde se reagrupa e Vader reporta sua vitória ao Imperador e a vida de Ahsoka. Ao fim, o Imperador vê Ahsoka como uma chance de encontrar outros Jedi e Vader vê principalmente como uma chance de encontrar Obi-Wan Kenobi. Novos Inquisidores serão despachados para caçar os rebeldes.

Conclusão do M’Y: O segundo ano de Star Wars Rebels começou bem, embora ele funcione bem mais como uma conclusão ao arco da temporada anterior: Lothal agora é passado, como Tatooine se tornou para Luke e em ambos os casos foi um incêndio que decretou isso. O grande acerto deste episódio está em Vader, que foi utilizado de maneira a deixar claro a importância que esta nova ameaça tem para o Império e também se mantendo fiel ao personagem, sem fazê-lo perder para um grupo de rebeldes inexperientes. Esperamos agora que ele seja utilizado novamente apenas em momentos como este. E agora é esperar mais pelo menos 3 meses até o próximo episódio.

Nota do M’Y: 9.0 de 0 a 10.

REBELS RECON #2.01