Iniciando uma Rebelião #5 – s01e04 – Breaking Ranks

Não entendeu um stormtrooper negro no trailer de Star Wars: The Force Awakens??? Deixa que o Jedicenter explica! Depois do excelente episódio 3 (4 se você segue por torrones), Star Wars Rebels dá uma desacelerada com Breaking Ranks, quarto episódio da temporada regular. Este é um episódio que deveria ser obrigatório para aqueles que estranharam John Boyega, um não-clone e negro, como trooper no primeiro trailer de Star Wars: The Force Awakens. Para os fãs de The Clone Wars, é quase impossível não lembrar do excelente episódio Clone Cadets, primeiro da terceira temporada da série e também uma continuação do arco Crystal Crisis on Utapau, quatro episódios da sexta temporada que não tiveram a produção terminada e aparecem tanto no box da temporada como no site oficial.

Lembrando sempre que este review assume que você já viu o episódio ou que não se importa de ler spoilers.

Clique aqui para os episódios anteriores.

Curiosidades:

  1. Os quatro cadetes principais deste episódio tem marcas em seus capacetes para melhor identificação: Ezra, sob o nome de Dev Morgan, possui um quadrado vermelho; Zare Leonis tem um círculo amarelo; Jai Kell um triângulo azul; e Oleg um diamante verde. Confesso que isso me incomodou muito durante o episódio.
  2. O Comandante Aresko e o Taskmaster Grint possuem títulos dentro da Academia que são separado de seus rankings militares. Sim, eu desisti de achar uma tradução correta para Taskmaster.
  3. A história de Zare Leonis está sendo expandida em uma série de livros infantis chamada Star Wars Rebels: Servants of the Empire, cujo autor é Jason Fry.
  4. O cristal kyber que é o alvo de Hera e Kanan é o mesmo raro tipo de cristal que os Jedi usam em seus sabres-de-luz, mas este é em uma escala gigante. Nesta escala, ele poderia virar uma arma devastadora. Cristais desse tamanho foram mencionados no arco já citado na introdução do texto, na sexta temporada de The Clone Wars. Também apareceram, mesmo que pequenos, na missão de Ahsoka, Yoda e alguns Younglings ao planeta Ilum entre os episódios 6 e 9 da quinta temporada da mesma série.
  5. Este episódio mostra uma nova configuração do rifle dos stormtroopers: além das opções atordoar e letal, eles possuem uma terceira de menor poder de fogo, similar ao robô de controle remoto que atira em Luke em A New Hope.
  6. O design das provas dos cadetes tem inspiração direta nas provas vistas no já citado Clone Cadets e também em The Box, 17º episódio da quarta temporada de The Clone Wars, onde Obi-Wan compete com vários bounty hunters.

Opinião do M’Y: Breaking Ranks começa já com a visão de 8 cadetes sendo acompanhados pelo Taskmaster Myles Grint, que os apresenta para o Comandante Aresko. Todo o visual remete claramente a uma versão mais pobre dos treinamentos em Kamino que vimos no episódio Clone Cadets da terceira temporada de The Clone Wars. Clone Cadets ficou voltando em minha mente o tempo todo e trazendo algumas comparações. Dito isto, minha visão é completamente diferente de alguém que tenha visto esse episódio sem conhecer a série anterior. É claro que o estilo visual das duas séries impede que Star Wars Rebels seja tão realista visualmente como sua predecessora, porém, algumas coisas indicam que claramente Dave Filoni e cia trabalham com um orçamento reduzido.

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Peguemos o item número 1 das curiosidades, visível na imagem acima (clique nela se quiser aumentar). Na metade de cima da imagem, retirada do episódio de The Clone Wars, temos 20 cadetes divididos em 4 times de 5. Todos os times tem cores e todos os cadetes tem números. Todos os cadetes estão identificados, não há como confundir. Como explicar, então, o fato de que 4 dos 8 cadetes de Rebels não tem identificação nenhuma? Dentro do universo Star Wars essa explicação simplesmente não existe: ou se identifica todo mundo, ou ninguém. No nosso universo, ela é simples: custos de animação. Texturas diferentes implicam modelos diferentes, mais tempo de renderização e maiores custos. Podem notar que os cadetes que não tem marcação jamais tiram o capacete, mesmo quando estão liberados (nem mesmo Oleg tira o capacete).

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Outro indicativo desse corte de custos é o design do capacete utilizado para treinamento. Enquanto o capacete utilizado em The Clone Wars era transparente e com iluminação (parte bastante complicada computacionalmente falando), obrigando a animação das caras dos cadetes, em Rebels temos um capacete muito mais próximo do de um trooper formado, mas que também permite uma renderização muito mais rápida e simples, sem ter que animar o rosto por baixo. Um dos melhores exemplos do que a diferença de orçamento faz é pegar imagens dos filmes Kung Fu Panda 1 2 e comparar com a série de TV Legends of Awesomeness. Observem, clicando na imagem:

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Reclamações sobre a produção à parte, devo dizer que em termos de história, a série já é minha favorita. Mas, porém, todavia, contudo, uma das primeiras frase já me atingiu como um chute nas partes que não devem ser mencionadas. Na sua primeira fala, o Comandante Aresko já fala que os cadetes “em algumas curtas semanas, sairão como soldados”. Sério? Em algumas curtas semanas? OK, legal, é necessário explicar para o público que stormtroopers não são clones, pois o grande público não está a par disso. A recente reação a John Boyega ser um stormtrooper em The Force Awakens mostra isso. Porém, só a cena dos cadetes tirando os capacetes já mostraria. Não é necessário ir mais além e tentar explicar em uma frase a famosa incompetência das tropas imperiais – que a série faz questão de amplificar, praticamente equiparando-os aos andróides separatistas. De todo modo, mesmo que fosse necessário, que a frase fosse “em alguns curtos meses”. Desse jeito, parece que os pardais do Tiro de Guerra brasileiro venceriam stormtroopers com facilidade. Isso, aliás, mereceria um artigo à parte.

A primeira surpresa é ver Ezra, vulgo Dev Morgan, retirando o capacete Imperial. Mas logo que o nome falso é revelado por Jai Kell, a surpresa desaparece. Ezra já é Dev faz um tempo e tem se destacado como vencedor das provas. Nesse momento já se vê a inexperiência do jovem Padawan, que deveria passar despercebido numa missão camuflada.

De repente somem 2 candidatos sem marca (que não voltam a aparecer em momento algum do episódio) e sobra uma briga entre Ezra e Oleg, que parece ser o valentão local. A maneira com que os cadetes devem subir é muito mais reminiscente de The Box, da quarta temporada de The Clone Wars, do que do treinamento visto para os clones. Um dos cadetes, Jai Kell, aponta que “Morgan” parece sempre saber onde vão surgir as plataformas antes que elas surjam – novamente a questão da inexperiência. O Comandante Aresko também nota isso, adicionando que ele é “talvez muito impressionante”. Ezra e Jai batem o recorde do exercício, seguidos de perto por Leonis.

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A coisa volta para o lado “três patetas” do Império quando Chopper passa extremamente mal pintado de preto ao lado dos cadetes, Ezra faz sinais e o único a perceber é Leonis. Chopper está a caminho de mandar uma mensagem para Sabine e Zeb, indicando que Ezra passou nos testes iniciais. Dentro da Ghost vemos um argumento entre Jarrus e Hera sobre a missão, que já dura semanas, e o Jedi tenta não parecer preocupado com Ezra, mas se entrega quando fala que ele deveria ter ido – como se fosse possível um homem de 28 anos se passar por um de 14.

Ezra precisa entrar na sala do Agente Kallus, mas é surpreendido por Leonis, que para a sorte do jovem rebelde, acaba por salvá-lo de ser descoberto. Descobrimos que este era o dia final para Ezra, mas Hera decide dar um dia a mais para ele. É aqui que descobrimos que estão atrás de informações sobre o transporte de um cristal kybur. Se você pensar um pouco, se um cristal desses com cerca de 5 cm é capaz de focar a energia de maneira que ative um sabre-de-luz, imagine o que o Império não faria com cristais do tamanho de um homem. Sim, aqui temos uma dica da construção da Estrela da Morte. Os dois jovem cadetes conversam durante a noite sobre o que cada um está fazendo: aprendemos que Leonis tenta encontrar sua irmã mais velha, que fora a melhor cadete de Lothal até desaparecer.

No dia seguinte o nível de dificuldade do desafio sobe: os cadetes precisam acertar tiros para ativar as plataformas que querem usar pra subir. É quase uma ironia, dada a famosa incapacidade dos stormtroopers de acertarem um alvo na frente do nariz. Quando Leonis não atinge o top 3, Ezra se vê obrigado a jogar Jai da plataforma. O Comandante Aresko aprova a atuação de “Morgan”, lembrando que não há amizade na guerra.

Ezra e Leonis usam a sala da Ministra Maketh Tua para que Ezra possa acessar os tubos de ventilação da sala de Kallus. Leonis distrai o agente falsificando uma entrega de peças usadas de pod de corrida enquanto Ezra usa a Força para pegar o disco de dados. Essa é uma daquelas cenas que, se fosse na época das prequels, em um episódio de The Clone Wars, não sentiríamos nada. Sabemos que Ahsoka se sairia perfeitamente bem, sem problemas para retirar o disquete com a Força. Aqui estamos vendo Ezra, com um treinamento extremamente limitado e desfocado. Isso é bom, pois transmite uma maior emoção, fiquei realmente tenso a primeira vez que assisti o episódio.

No caminho de volta, Ezra acaba vendo uma transmissão entre Aresko e o Inquisidor, onde Aresko informa que “Morgan” e Jai são dois cadetes que se enquadram as especificações pedidas pelo Inquisidor. O Pau’an chegará em Lothal no próximo dia para testar os dois e levar os aprovados sob custódia. Se você somou dois mais dois, deve ter concluído que esse foi o destino da irmã de Zare Leonis. Mais tarde, Chopper entrega o decodificador para Zeb e Sabine, além de uma mensagem de Ezra dizendo que precisa ficar mais um dia para salvar Jai do Inquisidor, além de pedir para que ataquem a academia no dia seguinte para que ele consiga sair. Hera e Kanan partem na missão para impedir que o cristal kybur seja entregue.

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Ezra e Leonis tentam convencer Jai a sair com eles, o que se torna simples quando você ameaça um garoto a nunca mais ver sua mãe. O plano é simples: os 3 precisam vencer o desafio seguinte para poder entrar dentro do AT-DP (não, não é um AT-ST que vimos na Trilogia Clássica). Kanan explica que o cristal está na nave do meio entre outros dois transportes imperiais, enquanto parte para atacar com a Phantom. Enquanto isso na academia, para salvar Jai, Ezra acaba ficando fora do Top 3. Oleg entra no lugar dele, se tornando um perigo para o plano.

Quando Chopper explode um detonador em um andador do lado de fora da academia, Jai imobiliza o piloto e também Oleg, enquanto Leonis pilota o AT-DP para fora, atirando em outro. Aresko então manda um transporte imperial (o mesmo modelo que já vimos anteriormente) atacar o andador, mesmo com os jovens cadetes dentro. Ao mesmo tempo, no espaço, Kanan atrai todos os TIE-Fighters para longe dos cargueiros enquanto Hera ataca e consegue destruir a nave que carrega o cristal. Segue-se uma explosão de energia bruta, numa cena muito similar às cenas de tiros da nave Malevolence na primeira temporada de The Clone Wars. Kanan consegue engatar a Phantom na Ghost na última hora para que consigam retornar ao hiperespaço vivos.

Ezra sobre no andador, fazendo Aresko achar que ele está tentando atacar os insurgentes. Os jovens cadetes deixam o AT-DP cair, mas Zeb, Chopper e Sabine chegam na hora certa. Ezra e Jai partem, mas Leonis decide ficar para trás, atirando neles e fingindo estar ao lado do Império para conseguir descobrir onde sua irmã está. Como ele é um jovem cadete, ninguém se importa muito com os tiros propositalmente errados.

Temos, a seguir, uma cena onde Aresko leva uma bronca do Inquisidor, que já conhecia Ezra, mas apresenta Leonis para o Pau’an. O olhar dele para Leonis ao falar que vão dar uma volta e quer saber tudo sobre os antigos amigos do cadete é bastante assustador e deixamos Leonis neste ponto. Sabemos que o cadete aparecerá no futuro, mas não sabemos nem quando e nem como. Esta é uma história que certamente trará frutos no futuro. Não me surpreenderia se a irmã dele, Dhara Leonis, estivesse sendo treinada para ser uma Inquisidora.

Já falei isto antes, na resenha de Fighter Flight, mas a libertação de algumas pessoas das mãos do Império em Lothal é no mínimo questionável. Provavelmente sobrou para os fazendeiros daquele episódio fugir para Tarkintown e esse é o mesmo destino que deverão ter Jai Kell e sua mãe.

Conclusão: Breaking Ranks começou me lembrando da série anterior e até puxou muito dela, o que faz sentido em termos de continuidade, mas evoluiu para uma história própria. É muito interessante que tenham trazido conceitos não finalizados em The Clone Wars, ainda que eles sejam bastante marginais dentro da história – não há tempo de você se importar com a missão de Kanan e Hera. Há uma certa preocupação em fazer Zare Leonis ser importante, justificando a necessidade de uma série de livros infantil focada nas desventuras do jovem cadete em busca de sua irmã.

Também é provável que este episódio tenha servido como uma explicação oficial de que stormtroopers não são clones antes que o Episódio VII estreie. Vale lembrar que esta é a primeira confirmação disso dentro do novo canon, apesar de existirem dicas muito sutis na Trilogia Clássica. É claro que o alcance de uma série animada em um canal pequeno não é grande e isso precisará ser deixado claro em The Force Awakens.

No fim, talvez o episódio que menos me interessou da série até agora.

Nota: 6.5 de 0 a 10

STAR WARS.COM REBELS RECON #4