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[RESENHA] Sombras do Império, o livro e o jogo

É dificil escrever sobre Sombras do Império fazendo uma abordagem um tanto quanto imparcial já que a história foi minha introdução ao Universo de Star Wars. Ainda me lembro bem quando meu pai chegou em casa jm pouco mais tarde de que o normal, em 1997 trazendo consigo um Nintendo 64 com dois cartuchos. Um deles era o jogo Shadows of the Empire e em uma semana estava vendo os filmes. Mas vamos lá.


O Conceito

Sombras do Império foi um projeto multimidia desenvolvido pela LucasFilm em 1996. A idéia original era criar uma história entre O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi (uma época em que nenhuma mídia de Star Wars tinha ido antes até então), e de explorar todas as possibilidades comerciais de um filme de verdade.

Capas do livro e HQ respectivamente

Capas do livro e HQ respectivamente

Muitos produtos foram lançados, incluíndo um livro, quadrinhos, video game, trilha sonora, brinquedos, cards colecionáveis e muito mais. Sendo o ápice do apelo comercial, obviamente o fã deveria consumir as três mídias que contam a história para digeri-la por completo. O livro se foca na história principal e nos personagens mais importantes; os quadrinhos se focam em Boba Fett e seu embate contra outros cacadores de recompensa para manter Han Solo congelado em sua posse até entrega-lo a Jabba; jao video game se foca no novo personagem Dash Rendar, o qual as aventuras do jogo se desviam da história principal algumas vezes.


O livro

Capa da edição de 2015 publicada pela Editora Aleph

Capa da edição de 2015 publicada pela Editora Aleph

Publicado em 1996, lançado aqui na época pela Sci-fi Books e agora em 2015 pela Editora Aleph se passa logo após os eventos do episódio 5. O Príncipe Xizor, líder da organização criminal Sol Negro pretende desgraçar Darth Vader aos olhos do Imperador e assim tomar seu lugar como braço direito. Para isso envia assassinos para matar Luke Skywalker.

Enquanto isso, Leia, Luke, Lando, Chewie e os dróides se unem ao famoso Esquadrão Rogue para encontrar Boba Fett que transporta seu amigo Han Solo congelado em carbonita e impedi-lo de chegar até Jabba. Quando o primeiro atentado à vida de Luke acontece, os Rebeldes se vêem obrigados a interromper sua busca pelo amigo e decidem impedir Xizor de ascender ao poder. Dash Rendar, um famoso contrabandista entra em cena para ajudar o pequeno grupo de rebeldes por um certo preço.

Dash Rendar

Dash Rendar

O livro é escrito por Steve Perry e ganhou as graças de George Lucas na época dizendo que a história de tão boa poderia até ter virado um filme nos anos 80. Assim como na Trilogia Thrawn, todos os personagens principais se mantém fiéis à suas contrapartes dos filmes.

Luke retorna à velha casa de Ben Kenobi onde encontra um manual para a construção de um novo Sabre de Luz, Lando começa a ter seus passos de redenção para com o grupo. C-3PO continua dando conselhos quando não deve e o destaque especial aqui vai para a Princesa Léia pois temos uma visão muito maior de seus conflitos e sentimentos por Han, Luke e seus deveres para com a Rebelião e demonstra sua força e dedicação de sempre da personagem. Não somente isso, a personagem não pensa duas vezes em arriscar sua vida, mergulhar de cabeça na ação e tomar decisões radicais (Xizor que o diga).

Falando nisso, o “maravilhosamente escrito para ser detestável” Príncipe Xizor parece uma cruza entre a mente de Lord Baelish d’As Cronicas de Gelo e Fogo com um ego que rivaliza o de Han Solo. Coberto pela superioridade de sua raça (os reptilianos Faleen) e sua fortuna, Xizor se pudesse queimaria a Galáxia e se proclamaria Chanceler das cinzas. É muito legal ver que desde o começo Xizor fracassará por seu excesso de confiança em si mesmo achando que pode ganhar as graças do Imperador enquanto o segundo apenas o está usando por puro interesse.

O Príncipe Xizor

O Príncipe Xizor

Dash Rendar conta com pouco destaque no livro (fazendo com que você busque o jogo) mas cumpre o papel do salafrário da vez e sua nave Outrider, um modelo Coreliano mais novo que a Falcon possui um design sensacional sendo uma de minhas favoritas. Vader continua frio e implacável, este sendo um dos poucos livros a retratar sua personalidade de O Império Contra-Ataca além de nos mostrar uma passagem muito interessante do Lord Sith tentando usar o Lado Sombrio para viver sem os seus suportes de vida e falhando justamente porque conseguiu. (A alegria em obter sucesso afastava sua escuridão).

A escrita de Perry é muito bem equilibrada. Os momentos de ação são descritos sem muitos detalhes para deixá-los mais dinâmicos ao invés de bem descritivos mas maçantes (coisa que prefiro imensamente). O clímax é o tipo de sequência em que você realmente não consegue guardar o livro até que tudo acabe. Além de que temos excelentes descrições sobre a personalidade, atitudes e conflitos dos personagens. Cada um deles, seja principal ou secundário, tem o seu papel e são bem aproveitados.

Tocando no assunto da edição brasileira, a Editora Aleph repete seus méritos das edições passadas dos seus livros de Star Wars e nos apresenta mais um belo exemplar desde sua capa até sua diagramação só pecando aqui na tradução algumas vezes muito confusa, por exemplo as vezes vemos o termo Aerogancho e outras vezes Skyhook. Ou quando chamam um Oficial de Operação TIE de “OpOff Tie” que nada mais é do que uma abreviação do termo em inglês “TIE Operation Officer”. São pequenos elementos que acabam formando uma bola de neve e confunde não tanto o fã mas principalmente um marinheiro de primeira viagem no Universo Expandido.

A Outrider

A Outrider

Mesmo lançado há quase 20 anos, e com mais seis filmes da Saga vindo aí, este livro equilibra muito bem os momentos de ação e suspense e é um ótimo lembrete de como o Universo de Star Wars pode ser extremamente divertido e intrigante!


O Jogo

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Conforme mencionei anteriormente, o jogo segue os passos do contrabandista Dash Rendar em uma história que corre simultaneamente ao livro e em alguns momentos cruza com eventos narrados tanto no livro quanto nos quadrinhos. A versão que analisarei aqui é a de Nintendo 64 (o game também saiu para PC).

A história do jogo era contada através de imagens um pouco animadas entre as fases

A história do jogo era contada através de imagens um pouco animadas entre as fases

A LucasArts foi ambiciosa nas dez fases deste jogo, misturando quatro fases com naves (Snowspeeder, Outrider e Speeder Bike), com seis fases de ação em terceira pessoa e exploração. Com uma escolha aparentemente generosa de quatro ângulos de câmera, logo fica claro que a visão em primeira pessoa é redundante sem uma mira e que a visão cinematográfica é impossível de controlar. O ponto de vista aéreo foi usado uma vez durante todo o jogo (para navegar em uma ponte na fase Gall Spaceport). A câmera em terceira pessoa é a única opção viável. No entanto, deste ponto de vista, ainda é estranho para certos Stormtroopers colocados no alto de pontes e passarelas, ou atirar para baixo. Considerando-se que uma série de batalhas coloca Dash em meio a uma arena ou labirinto onde Boba Fett, IG-88 e até mesmo a Slave-1 pairam e deslizam pelo cenário, um controle um pouco mais amigável seria necessário.

A primeira fase a pé mostrava Dash tentando escapar da Base Eco em Hoth durante o ataque Imperial

A primeira fase a pé mostrava Dash tentando escapar da Base Eco em Hoth durante o ataque Imperial

Em níveis posteriores o jogo implementa um jetpack que abre uma nova gama de elementos em exploração e quebra-cabeças para a jogabilidade além de uma variedade de disparos diferentes para seu blaster incluindo os seekers de calor, lança chamas, dispáros rápidos de canhões de pulso, atordoadores e disparos de disrupção.

Boba Fett era um dos inimigos do jogo

Boba Fett era um dos inimigos do jogo

Shadows of the Empire é atmosférico em sua apresentação audio-visual. O jogo chega a ser tenso várias vezes devido a sensação de solidão proporcionada por ambientes vastos e abertos ou pela claustrofobia de lugares fechados sem falar em alguns pulos ocasionais do jogador quando algum trooper aparece do nada em uma curva (a fase Gall Spaceport era assustadora para mim quando criança com uma música tensa e ambientes isolados).

Gameplay da fase Gall Spaceport culminando em uma batalha contra Boba Fett e sua nave Slave 1

O design do jogo é fantástico nas fases de veículos. A Batalha de Hoth foi impressionante em 1996 e ainda é divertida até hoje, inspirando a Factor 5 em sua maravilhosa série de jogos sobre o Rogue Squadron. A terceira fase do jogo mostra Dash voando sua Outrider em meio ao campo de asteróides enquanto luta contra TIE-Fighters e TIE-Bombers. Há uma difícil perseguição de Speeder-Bikes pelas ruas de Mos Eisley onde você deve eliminar um grupo de gangues antes que elas encontrem Luke. E a melhor de todas é o ataque da Outrider no imenso Skyhook de Xizor, uma batalha espacial envolvendo X-Wings, TIE-Fighters, StarVipers do Sol Negro, um Star Destroyer e uma sequencia inspirada em O Retorno de Jedi onde você deve explodir a estação de dentro para fora.

Três exemplos das fases de veículos

Três exemplos das fases de veículos

Embora alguns fãs mais novos possam estranhar as antigas mecânicas, o jogo ainda vale pela nostalgia e excelente história!

Marcelo Skywalker

Escória Rebelde do interior de São Paulo. Pode ser encontrado mais on-line do que na vida real pelo Twitter ou pelo Facebook