contato@jedicenter.com.br
Resenha TLJ

RESENHA | “Episódio VIII – Os Últimos Jedi” COM SPOILERS

E aqui chega o nosso review de The Last Jedi com spoilers, o filme que até agora tem sido o mais divisivo entre fãs depois das prequels e o que é o mais aclamado pelos críticos desde The Empire Strikes Back.

Lembrando sempre que este review assume que você já viu o episódio ou que não se importa de ler spoilers.

Nota do M’Y: 9.5 (0 a 10)

Trilha Sonora: Spotify / Deezer.

Arte para o primeiro Templo Jedi aprovada por George Lucas antes da contratação de J.J. Abrams.

Curiosidades:

  1. O arco de Luke Skywalker é baseado na ideia inicial de George Lucas para o Episódio VII, ainda antes de J.J. Abrams ser contratado. A ideia de GL era a de que um velho Luke Skywalker treinaria uma nova discípula chamada Kira (que mais tarde foi renomeada Rey). 30 anos após a queda do Império, Luke tinha ido a um lugar escuro e se isolado em um templo Jedi em um novo planeta. O plano inicial para o Episódio VII foi que Luke, ao longo desse filme, redescobriria sua vitalidade e treinaria essa nova Jedi.
  2. Um dos itens que Luke Skywalker tem no filme é uma bússola. Este item foi encontrado por Luke Skywalker e Del Meeko em um observatório mantido por Palpatine no planeta Pillio em uma das missões da campanha de Battlefront II.
  3. Pesquisas de laboratório da década de 1960 indicam que cães conseguem sobreviver por até 90 segundos no vácuo e chimpanzés pelo dobro do tempo. Humanos sem a Força perdem a consciência por volta de 15 segundos, mas podem sobreviver se resgatados depois disso.
  4. Plo Koon sobrevive no espaço por mais tempo do que Leia no segundo episódio da primeira temporada de The Clone Wars.
  5. Ilusões da Força existem no cânone atual, criadas por George Lucas: no último episódio de The Clone Wars, Darth Sidious e Conde Dooku usam um ritual Sith para criar ilusões de Syfo-Dias, de Sidious e do Conde Dooku no planeta Moraband enquanto Yoda está lá. Sidious e Dooku usam a forte conexão na Força que Dooku e Yoda tem para conseguir isso. Isso é similar a Snoke ter usado a conexão criada entre Rey e Ben Solo quando um invadiu a mente do outro em The Force Awakens.
  6. Ilusões da Força era um poder bastante comum no antigo Universo Expandido, hoje Legends: Darth Wyyrlok III na série Legacy, Aleema Keto em Tales of the Jedi e o Mestre Jedi Yarael Poof estão entre seus usuários.
  7. No primeiro episódio da terceira temporada de Rebels, Kanan também sobrevive no espaço antes de voltar para a nave.
  8. Na série Clone Wars de Genndy Tartakovsky, hoje Legends, Dooku usa a Força para voar/flutuar por um curto período de tempo.
  9. Os dados dourados que Luke entrega para Leia e que Kylo Ren vê antes de desaparecerem estiveram na Falcon desde A New Hope.
  10. De acordo com o Dicionário Visual do filme, Luke segue o juramento Barash, que já foi mencionado na HQ Darth Vader: Dark Lord of the Sith da Marvel através do Mestre Jedi Kirak Infil’a. O juramento implica em o Jedi se excluir da Ordem Jedi como forma de penitência. Luke, conforme Rey diz, se cortou da Força e, portanto, não sentiu a morte de Han nem a chegada de Rey.
  11. O mesmo Dicionário Visual informa o cristal kyber vermelho que Luke usa em volta do pescoço é de um antigo Cruzado Jedi. No universo Legends, os dois primeiros Cruzados Jedi foram Revan e Alek (que depois se tornaria Darth Malak).
  12. O livro também informa que a imagem estilo Yin-Yang no chão do primeiro Templo Jedi é, na verdade, um mosaico do primeiro Jedi no centro do balanço entre luz e trevas.
  13. A famosa fala “I have a bad feeling about this” que aparece em todos os filmes, não é vista aqui falada em básico (que é o nome dado para a língua utilizada na galáxia). Rian Johnson confirmou no Twitter que a fala está no filme. A maior suspeita é que seja a fala de BB-8 logo no início. As respostas de Poe (“Beeps felizes, por favor”) e Leia (“Apenas para registro, Comandante, estou com o dróide nesta”) são reações que parecem confirmar isso.
  14. Rian Johnson revelou recentemente duas cenas que foram reescritas por Carrie Fisher: a cena em que ela senta com Luke e diz “eu mudei meu penteado” e a despedida de Holdo e Leia, que foi escrita por Rian junto com as duas atrizes.
  15. A cena inicial do cassino em Canto Bight é uma reencenação de uma cena do filme Wings de 1927.
  16. A faixa “Canto Bight” da trilha sonora contém partes de “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso. A música brasileira é, inclusive, mencionada nos créditos do filme.
  17. Aproximadamente aos 106 minutos de Rogue One, Jyn Erso menciona entre os projetos imperiais rastreamento no hiperespaço. Quase 35 anos depois, a Primeira Ordem finalmente utilizou a tecnologia.
  18. Chewbacca agora é agora feito pelo novo ator Joonas Suotamo, que já havia sido dublê em O Despertar da Força, visto que Peter Mayhew se move em cadeira de rodas. O ator original é creditado como “Chewbacca Consultant”, algo como “consultor para Chewbacca”.
  19. A porta da cabana de Luke é feita de pedaços da sua antiga X-Wing.
  20. Erro de continuidade: o filme inclui uma cena em que Rey e Poe Dameron agem como se estivessem se vendo pela primeira vez. Os dois, no entanto, tiveram uma cena na novelização de The Force Awakens. Eles também estavam na mesma cena no filme quando BB-8 e R2-D2 montaram o mapa que levava ao primeiro Templo Jedi.
  21. Gareth Edwards, diretor de Rogue One, aparece como soldado da Resistência em Crait.
  22. O pequeno alienígena bêbado que coloca moedas em BB-8 é interpretado por Mark Hamill. O ator de Luke Skywalker pediu para testar a tecnologia de captura de movimentos após ver Andy Serkis fazendo isso.
  23. Yoda é totalmente de boneco, sendo manejado por Frank Oz. Os moldes originais de O Império Contra-Ataca foram usados para refazer o boneco.
  24. A campanha “You Snoke theory sucks” (“Sua teoria de Snoke é uma porcaria”, em tradução livre) virou uma mania nos EUA, depois de ter sido lançada pelo podcast Steele Wars. Após o filme, o logo no site mudou para “your Snoke theory sucked” (“Sua teoria do Snoke foi uma porcaria”).

Assim como George Lucas com as prequels, Rian Johnson não se importa com o que você acha que Star Wars é: ele quer quebrar o que você sabe e te surpreender.

O filme: Vamos falar de Os Últimos Jedi, a começar pela noção de que o título na cabeça do diretor e roteirista Rian Johnson é no singular, O Último Jedi (pessoal do marketing brasileiro esqueceu de conversar com ele) e se refere a Luke Skywalker – embora pelo final do filme pode também se referir a Rey, a última Jedi. Outra noção muito importante é que, assim como George Lucas com as prequels, Rian Johnson não se importa com o que você acha que Star Wars é: ele quer quebrar o que você sabe e te surpreender. E isso é ótimo.

O filme já começa te lembrando quem embora parecidos, a Primeira Ordem não é o Império. Enquanto o Império não atacou diretamente Yavin IV após a destruição da Estrela da Morte, a Primeira Ordem decidiu atacar D’Qar no sistema Ileenium para acabar logo com a brincadeira. Enquanto a frota rebelde era até que grande na TC (podemos ver isso bem ao final de TESB e em Rogue One), a Resistência é um grupelho que cabe em uma nave capitânia. E a Primeira Ordem tem 3 Star Destroyers e um Star Dreadnought (“dreadnought” seria “couraçado” em português). A nave é massiva e possui canhões poderosíssimos em sua parte de baixo e torres de artilharia em sua parte de cima. Poe e BB-8 encaram sozinhos e aí vem o primeiro momento de humor que não gostei (ver mais abaixo): Poe enganando Hux, como se a transmissão estivesse com problemas. Embora a cena tenha partido do humor de Poe, que já fazia piadas em O Despertar da Força, é um momento um pouco fora do estabelecido como sendo Hux.

Poe usa o “turbo” da sua T-70 X-Wing.

Poe estava na verdade fazendo Hux esperar um pouco para que ele pudesse usar o foguete extra em sua X-Wing para chegar o mais próximo possível. Como a Primeira Ordem não costuma aprender com os erros do Império, o couraçado espacial tem a mesma falha que a Estrela da Morte: é incapaz de se defender do ataque de um caça espacial. Poe ganha tempo para a Resistência escapar, mas decide ignorar a General Leia e seguir em frente com o plano de destruir o couraçado. É esse plano que faz com que todos os bombardeiros da Resistência sejam destruídos e seus pilotos e operadores mortos. Isso resulta em Leia rebaixando Poe de Comandante para Capitão.

Do lado da Primeira Ordem, o Líder Supremo Snoke contacta Hux e o humilha na ponte de seu Star Destroyer, cobrando-o dos resultados que ele não conseguiu. A cena tem um dos dois pontos onde poderes da Força ficam estranhos no filme: Snoke é capaz de derrubar Hux à distância. E, convenhamos, à muita distância, já que o Mega Star Destroyer de Snoke, o Supremacy, não está lá. Já vimos Darth Vader estrangular um Almirante à distância, apenas olhando para uma transmissão via Skype, mas ambos estavam na mesma nave. Em outro sistema estelar é realmente uma novidade. Poe volta para a única nave da Resistência e Finn, que estava em coma induzido acorda e tem apenas uma pergunta, a mesma que eu e você fazemos já há uns quinze minutos de filme: onde está Rey?

Rey chegou em Ahch-To, planeta onde se localiza o primeiro Templo Jedi no novo cânone (#saudades Tython) e está com cãibra no braço. Como a cena foi refilmada para esse filme, dá pra perceber diferenças na mão de Rey, na iluminação natural e pequenas outras, mas o espírito está lá – ao menos até a hora em que Luke joga o sabre fora e vai se trancar na sua cabana. Alguém mais não vê a hora de imagens de alta resolução do filme? Quero muito um wallpaper com a X-Wing do Luke embaixo d’água. Como o próprio ator Mark Hamill falou mais de uma vez, é estranho ver o nosso maior herói simplesmente ignorar tudo aquilo. Ele é obrigado, no entanto, a falar quando Chewbacca entra arrebentando a porta. E aí ele faz a pergunta que eu e você sabemos a resposta com dor desde dezembro de 2015: onde está Han?

Luke recebe o sabre-de-luz que foi de seu pai… e prontamente joga fora.

Ren entra na sala do trono de Snoke em seu Mega Star Destroyer enquanto Hux está saindo. Snoke está em seu robe dourado e dá uma senhora bronca em Kylo Ren. É claramente a primeira vez que o mestre vê o aprendiz depois da derrota. O ator Andy Serkis mencionou em entrevistas ser teatral como uma característica de Snoke e, diferente do Imperador Palpatine, gostar de mostrar a riqueza que possui. O visual da sua sala do trono, todo vermelho, é um belo indicativo disso. É curioso que a fala de Snoke de só ver poder na linhagem Skywalker parece bater com a de alguns fãs que insistem em querer que Rey seja filha de alguém poderoso. A bronca de Snoke, falando que Kylo é uma criança em uma máscara, traz uma grande mudança: Kylo destrói o capacete (que servia para esconder que ele era Ben Solo) e resolve se mostrar como é.

Em Ahch-To, Rey persegue Luke, que se recusa a treiná-la. Vemos um pouco do dia a dia do velho Mestre: a pesca, tomar leite verde fresco (cena que causou certo furor em alguns fãs, que esquecem que na fazenda é assim que se faz). E aí ela é atraída para a árvore da Força, o que faz com que Luke a siga e queira saber quem ela é. Não, isso não quer dizer que ela seja uma Skywalker, uma Solo ou uma Kenobi. Até este ponto no filme ela nunca se apresentou e nunca nem falou que quer treinar. Ela apenas disse que Leia a enviou para buscá-lo. É aqui que ela explica que já viu este lugar em sonhos (e, não, isto também não é algo novo, pois Kylo Ren já havia notado que ela sonhava com uma ilha no filme anterior). Ele quer saber o motivo de “Rey de lugar nenhum” estar ali, não o motivo da Resistência precisar dele, Luke Skywalker. E aí ele insiste que não treinará mais Jedi e que é hora da Ordem acabar. Somos apresentados nesta cena aos primeiros escritos sagrados dos Jedi.

Essa biblioteca deve ser legal de ler!

De volta à Raddus, a nave da Resistência, Leia está dando bronca e rebaixando Poe. Há um rastreador em Leia que fará Rey encontrar a nave e essa é a única preocupação de Finn. E aí chegam várias naves da Primeira Ordem, incluindo o Supremacy. A Resistência tem um problema grave: estão sem combustível e a Primeira Ordem conseguiu desenvolver uma tecnologia de seguir eles pelo hiperespaço. Assim, Leia ordena toda a potência dos motores à frente. Muita gente tem reclamado que a Primeira Ordem não enviou caças, mas não prestou atenção nessa fala da Leia: as naves da Resistência estão fugindo a toda velocidade! Não temos os dados de velocidade da Raddus e dos TIE-Fighters, mas pode-se assumir que as velocidades seriam similares.

Antes que as naves da Resistência consigam virar, Kylo Ren pula em seu TIE Silencer e vai com mais dois TIE Fighters atacar a nave da sua mãe. Ele destrói o hangar da Raddus, mas não tem coragem de atirar em sua mãe. O que ele não faz, os TIE Fighters fazem, destruindo a ponte e matando todos. Era uma cilada, Almirante Ackbar. Leia é a única a sobreviver ao usar a Força para voltar à nave. Esse é o segundo momento em que poderes da Força são meio estranhos neste novo filme. Na verdade, Plo Koon e Kanan Jarrus são Jedi que sobreviveram um tempo no espaço em situações canônicas sem nenhuma armadura. A maneira como Leia usa a telecinesia Jedi que é nova em situações de televisão canônicas, mas já havia sido usada lá em 2003 na série não-canônica Clone Wars. E o CGI ficou realmente ruim. Leia é internada inconsciente e Finn pega o rastreador que avisa para Rey onde a frota está.

De volta a Ahch-To, Luke entra na Falcon e encontra R2-D2, que usa um truque barato para convencer Luke a ajudar: a mensagem de Leia para Obi-Wan Kenobi em A New Hope. Ver sua irmã e lembrar de tudo aquilo faz ele dizer para Rey que irá dar a ela três lições no dia seguinte. Voltando à Raddus, a Comandante Larma D’Acy informa aos 400 sobreviventes da Resistência sobre a morte da liderança, à exceção de Leia e apresenta a Vice-Almirante Amilyn Holdo, pessoa de maior ranking. Poe se apresenta para ela, que já o corta diretamente, relembrando que ele é Capitão e não Comandante e o manda ficar em seu lugar e seguir as ordens dela, sem revelar nada do que pretende.

Finn é pego por Rose Tico, que acabou de perder sua irmã Paige Tico na batalha de D’Qar, tentando fugir da nave. Ela dá um choque nele, deixando-o incapacitado. Rose Tico é uma mecânica, que raramente está envolvida diretamente com batalha, o que a deixa fora do que realmente está acontecendo, sem saber que a Primeira Ordem consegue seguir as naves da Resistência no hiperespaço. Juntos, os dois acabam bolando um plano para libertar as naves da Resistência: destruir a fonte de energia do rastreador (o que lhes daria seis minutos sem rastreio). Finn, sendo ex-Primeira Ordem e provavelmente tendo trabalhado com o saneamento da nave de Snoke também, sabe onde fica e eles levam o plano para Poe. O piloto, já irritado de ser deixado de lado por Holdo, decide levar o plano em frente com a ajuda de Kaydel Ko Connix, a tenente interpretada por Billie Lourd, filha de Carrie Fisher. Com a ajuda de Maz Kanata, em sua única aparição no filme, eles descobrem que há um mestre codebreaker (palavra de Star Wars para hacker) no cassino de Canto Bight que pode ajudar.

O dia amanhece em Ahch-To e Rey dá de cara com Kylo Ren, atirando nele. Ele obviamente não está lá, visto que nenhum dos dois e nem a gente conhecia esse poder de Skype da Força. Essa é a hora que você pensa no cinema: “pronto, agora acabou meu argumento de que no trailer eles não estavam no mesmo lugar”. Os dois podem apenas se ver, sem ver o local em volta de onde estão e Luke claramente não nota a conexão entre os dois ao perguntar o que acontece que as caretakers (“cuidadoras”, ao pé da letra) estão fazendo. Por algum motivo, ela resolve falar que foi o blaster que disparou acidentalmente.

Eles sobem até o templo, onde Rey olha o mosaico do primeiro Jedi antes de tentar convencer o Mestre Skywalker a voltar com os Jedi, para logo em seguida fazer Luke falar pela primeira vez que “cada palavra nessa sentença estava errada”. A Força não é um poder, não é sobre levantar pedras, é a energia presente em todas as coisas. E aí vemos que Luke virou um mestre Jedi troll, a lá Yoda em TESB. Luke usa a lição para mostrar que se os Jedi deixarem de existir a Força não deixará de existir. Mas há algo mais, há um lugar na ilha com muito poder no lado negro e está chamando Rey. Luke parece entender que o balanço é uma quantidade similar de luz e de escuridão. Rey não resiste muito, apenas para depois apontar que não sentiu nada vindo de Luke, nenhuma luz, pois ele se fechou para a Força:o antigo Mestre está assustado com o potencial bruto de Rey, a única aluna que ele teve que tem o mesmo potencial de Ben Solo. Enquanto brinca com a chuva, Rey vê novamente Kylo, que não entende o motivo da ligação dos dois.

A Força não é um poder, não é sobre levantar pedras, é a energia presente em todas as coisas.

Faltam 18 horas de combustível para a Raddus quando Finn e Rose saem para Canto Bight. Finn não consegue entender de início o motivo de Rose odiar o local e ao ver um criador de fathiers de corrida maltratar um deles e uma criança, ela explica que só há um negócio que deixe as pessoas tão ricas: venda de armas para a Primeira Ordem. Porém, quando encontram o mestre codebreaker, são presos por estacionarem a nave em local errado – no meio da praia, para ser mais exato.

De volta à Ahch-To, Rey está treinando com sua staff, mas lembra do sabre e decide treinar com ele, enquanto Luke vê. Como toda boa Padawan, ela faz cagada – e quem sofre com isso são a freiras anfíbias do lugar. A lição número dois é uma lição de história. Luke crê que agora que já fazem 50 anos que os Jedi não existem mais enquanto Ordem, que eles são romantizados e divinizados. “No topo do seu poder eles deixaram Darth Sidious criar o Império e os exterminar. Foi um Mestre Jedi o responsável pelo treinamento criação de Darth Vader.” Luke explica que por anos após a morte de Vader houve equilíbrio, até que ele decidiu treinar Ben Solo e mais alguns Jedi. Quando percebeu as sombras em seu pupilo, foi confrontá-lo e Ben se virou contra ele, derrubando todo o prédio. Quando Luke acordou, Ben havia sumido com outros pupilos (aqui talvez a única menção do que poderiam ser os Cavaleiros de Ren) e matou os outros, com o templo queimando. Luke fala que Leia culpa Snoke, mas que a culpa foi na verdade dele, que ele falhou, pois era Luke Skywalker, Mestre Jedi, uma lenda. Rey deixa claro que foi Kylo que falhou com Luke, não o contrário e que ela não irá falhar.

Faltam 6 horas para o combustível da Raddus acabar quando a fragata médica fica sem combustível e é destruída. Holdo comanda a nave para seguir em frente sem explicar o que acontece, enquanto Poe se pergunta onde Finn e Rose estão. A resposta é: na cadeia discutindo o que fazer, momento em que entra DJ, personagem (gago!) de Benício Del Toro que se oferece para o trabalho. Quando os dois negam, ele simplesmente abre a porta da cela e sai para dar de cara com BB-8 desarmando vários policiais de Canto Bight. Finn e Rose foram atrás dos fathiers e acabam conseguindo a ajuda das crianças, quando Rose dá a uma delas o seu anel da Resistência. As crianças liberam os fathiers, com Finn e Rose em um deles. A destruição do lugar é rápida e os dois fogem para as matas do planeta Cantonica, liberando os animais, apenas para serem salvos por BB-8 e DJ em uma nave tipicamente prequels.

O cavalinho vai correndo pelas salas lê, lê, lê, lê, lê, lê, lê

Leia continua em coma, mas fala “Luke”, enquanto ele percebe e responde “Leia”. O Skype intergaláctico continua e Rey cobra o motivo de Kylo ter matado Han, ao que Kylo responde que o maior problema de Rey é procurar os pais em outras pessoas como Han e Luke. Kylo então conta que naquela noite alguns anos antes, Luke sentiu o poder de Kylo e tentou matá-lo. Esse é o segundo flashback e é curioso que aqui, diferente do de Luke, a cara de Luke é de alguém praticamente louco. Rey decide então entrar na caverna do lado sombrio e a visão que ela tem é dela mesma, repetida infinitas vezes. Temos a narração de Rey falando para Ben que ela devia ter ficado assustada, mas não ficou e que pediu para ver seus pais. A parede da caverna retornou apenas a imagem clara de Rey. Ela conta para Ben que achava que acharia respostas ali, que estava errada e que nunca se sentiu tão sozinha. Luke chega e vê os dois tocando as mãos através da Força, manda-os parar e a expulsa da ilha. Ela insiste em querer saber se ele quis matar Ben. Os dois lutam com seus bastões e Luke vence, mas se vê acuado quando ela pega o sabre-de-luz. Aqui é a primeira dica de que Luke não tem mais o seu característico sabre verde. A cena de luta como um todo é muito bonita, com a chuva forte caindo e o mestre nunca atacando, apenas se defendendo facilmente de sua pupila.

Vemos o terceiro flashback, Luke usando a Força para ver os pensamentos do aluno enquanto ele dormia e percebendo que as sombras em Ben Solo eram maiores do que o que ele imaginava. Em um momento de instinto, Luke ligou seu sabre, mas desistiu, com vergonha de si mesmo. Foi nesse momento em que Ben Solo acordou e a última coisa que Luke viu foi um garoto assustado. Os três flashbacks são claros em mostrar diferentes pontos de vista de uma coisa, desde a cara de louco de Luke na lembrança de Kylo, com Luke atacando primeiro, à cara de medo de Ben Solo e o desespero de Luke não atacando em sua própria lembrança do corrido. Rey conta que há conflito em Ben Solo, que acredita que pode fazer ele voltar para a luz e que isso pode ser o caminho para a vitória. “Isso não será da maneira como você pensa” é a resposta de Skywalker. Uma vez mais ele tenta convencer ela de que ela está errada, uma vez mais ela tenta entregar o sabre e uma vez mais ele não aceita. Ela pega as coisas e parte de Ahch-To na Falcon.

Isso já não está indo da maneira como esperávamos… (Ainda bem!)

Aí meu amigo, a coisa fica emocionante para velhos fãs: Luke Skywalker vai até a árvore da Força para queimar o que restou da Ordem Jedi quando Yoda aparece, chamando-o de “jovem Skywalker” (Yoda teria 930 anos se estivesse vivo, contra meros 53 de Luke). Quando o Jedi vivo falha, o Jedi morto usa a Força para destruir a árvore. Yoda aponta que não há nada ali que a garota Rey não tenha (mal sabe Luke…) e que o jovem Skywalker precisa olhar além de seus erros. Ele perdeu Ben Solo, mas não podem perder Rey. Yoda relembra-o também que a falha é a maior dos professores. Em uma das cenas mais bonitas de um filme cheio delas, os dois mestres Jedi assistem juntos a árvore queimar.

DJ está roubando a “própria” nave e Finn diz que ao menos está roubando dos caras maus e ajudando os bons. DJ aponta que o dono da nave vende TIEs, mas também X-Wings: “é tudo uma máquina, os livres não se juntam” (em inglês, “Don’t Join”, “não se juntar”, é a siga que DJ usa como identidade).

A última nave de suporte da Resistência é destruída, sobrando apenas a Raddus. Poe invade a ponte e vê que Holdo está abastecendo os transportes e que a Resistência vai abandonar a nave, chamando-a de covarde e traidora e sendo expulso da ponte. Finn se comunica e pede para Poe conseguir mais tempo para ele.

A velocidade do filme acelera: A Falcon volta para o local da batalha, com Rey devidamente vestida de Jedi, e entra em um pod no Mega Star Destroyer, apenas para ser recebida por Kylo com dois stormtroopers. Ser hacker em Star Wars não é muito diferente de outros filmes de Hollywood, com digitação ultra rápida em qualquer tecla e milagres do tipo, que permitem que a nave passe despercebida pelos escudos do Mega Star Destroyer – não totalmente, na verdade, mas pareceu apenas uma falha em um monitor. Poe, por outro lado, lidera um motim contra Holdo, enquanto Rey, Rose, DJ e BB-8 (vestido de lata de lixo) andam de uniforme da Primeira Ordem pelo Mega Star Destroyer, sendo notados apenas por BB-9E. No elevador, Ben e Rey conversam sobre os que viram, os dois acreditando que na hora certa, um apoiará o outro. O problema é que Rey acha que Ben irá virar para a luz e Kylo acha que Rey irá para o lado negro.

Chegamos na sala do trono e aí quem achava que o filme seria uma repetição de O Império Contra-Ataca, se já não estava perdido, deve ter ficado chocado a hora que viu o filme pisar em terreno de O Retorno de Jedi. Aí você já sabia que algo muito tenso estaria para acontecer. Todos os seis filmes da saga passam na sua cabeça em menos de um segundo. Do que eu consigo lembrar que pensei, teve: “Rey vai para o lado sombrio? Kylo vai para a luz? Luke vai aparecer para salvar o dia? Como sair dessa sala no segundo filme da trilogia se esse confronto só devia acontecer no próximo filme?”

Poe toma a ponte enquanto Finn, Rose, DJ e BB-8 finalmente chegam no negócio que parece um capacitor de fluxo. Alguém começa a invadir a ponte enquanto BB-9E chega com vários soldados e Phasma. E quem entra é a General Leia Organa, que ia atira em Poe para atordoar. A Resistência parte em 30 naves. Holdo decide ficar para trás e pilotar a nave. Suponho aqui que o controle do piloto automático ficava na ponte que foi destruída, ou então não faria sentido Holdo ficar. Aqui é o segundo momento em que poderiam ter mudado a história do filme para acertar a morte de Carrie Fisher. O problema ficará para os roteiristas J.J. Abrams e Chris Terrio resolverem no Episódio IX. A cena da despedida das duas é linda e dá pra ver em Laura Dern a fã de Star Wars que ela sempre foi.

Ela tem o espírito de um Jedi, e por isso deve morrer.

A sala do trono de Snoke é bastante diferente da de Palpatine. Snoke tem 8 guardas de armadura vermelha e mantém todos eles. Palpatine tem dois e pede para eles saírem. A sala de Snoke é cheia de cortinas vermelhas, cobrindo todo o visual da batalha que ocorre lá fora. A de Palpatine é escura e dá toda a visão que o Sith precisa do que ocorre lá fora. Snoke é o centro da atenção com sua roupa dourada. Palpatine poderia ser ignorado em sua roupa preta por alguém desatencioso.

Snoke assumiu que Skywalker viria e Rey demonstra ainda ter fé no Mestre Jedi. Ela tem fé também em Ben Solo, chamando-o pelo seu nome de nascença e não pelo nome do lado negro. Aí descobrimos que foi Snoke que se aproveitou da ligação entre os dois e criou o Skype da Força (eu ainda não achei um termo melhor). Ele sabia que Kylo Ren tinha um conflito e sabia que Rey não seria esperta o suficiente para deixar isso passar.

Poe acorda em um dos veículos e Leia explica o plano: eles estão chegando no planeta Crait, não mapeado, com uma antiga base rebelde com energia suficiente para enviar um pedido de socorro para os aliados da Resistência. Escondidos pela nave maior, as 30 pequenas naves rebeldes poderiam chegar no planeta sem serem notadas e esperar a Primeira Ordem passar. Aí que Poe pensa que isso poderia funcionar. Mal sabe ele que foi ele que cagou tudo (pela segunda vez): Phasma entrega FN-2187 e Rose para Hux, enquanto DJ recebe o pagamento pela informação de que os rebeldes estavam fugindo (ele havia ouvido Poe na transmissão). Aí os Star Destroyers começam a atirar nos transportes, para o desespero de Holdo.

De volta à sala do trono, Rey tenta pegar seu sabre quando Snoke fala que irá atacar Ahch-To e destruir a ilha, mas não consegue. Snoke mostra a frota da Resistência sendo destruída, praticamente como Palpatine fez com Luke 30 anos antes. Rey pega então o sabre de Kylo Ren, em cena que o marketing da Disney/Lucasfilm insistiu em me jogar na cara no vídeo promocional de “faltam VIII dias”. Pra quê!? Pra quê!? Ao menos a cena foi menos importante do que parecia ser. Ela ataca Snoke e é jogada longe, junto com o sabre que volta para Kylo. Snoke segura ela na frente de Kylo, dando a ordem para matar a Jedi. O diálogo que se segue é sensacional:

Snoke para Kylo Ren: “Onde houve conflito, agora sinto a resolução. Onde havia fraqueza, força. Complete seu treinamento e realize seu destino!”

Kylo Ren: “Eu sei o que devo fazer”.

Snoke para Rey: “Você acha que não pode virá-lo. Criança patética! Eu não posso ser traído, eu não posso ser derrotado. Eu vejo a mente dele, vejo todas as suas intenções. Sim, eu vejo ele girando o sabre-de-luz para atacar. E agora, criança tola, ele o liga e mata seu verdadeiro inimigo!”

Rey cai, mas é o sabre-de-luz dela que está ligado no meio da barriga do Líder Supremo. Lindo.

A sua teoria sobre o Snoke não apenas “sucks”, como não importa (ver curiosidade 24).

Finn chama DJ de assassino, mas DJ sai de cena dizendo para Finn que hoje a Primeira Ordem explode a Resitência, amanhã é o contrário. Será que ele volta no Episódio IX?

Rey e Ben/Kylo lutam contra os oito guardas pretorianos e a primeira vez que você vê, a impressão que se tem é que os dois estão novamente no lado da luz, que é Rey e Ben, não Kylo e uma futura aprendiz. A luta é muito interessante no sentido de que você vê que os movimentos de Ben Solo são mais eficazes que os de Rey – ele é, afinal, mais treinado e estava ferido quando perdeu para ela. Também é muito legal ver um uso incomum do sabre-de-luz na saga: primeiro Rey solta a arma para se livrar de uma chave de braço, para logo após pegar a arma e cortar pernas e pescoço do guarda; logo depois, ela joga a arma desligada para Ben, que pega e liga bem na cara do último guarda pretoriano.

Ela acha que ainda há tempo para salvar a frota e ele acha que é hora de deixar as coisas antigas morrerem: Snoke, Skywalker, Sith, Jedi, rebeldes e ele pede que ela fique com ele. Aí ele fala que ela sempre soube a verdade sobre os pais e pede para ela falar. É Rey (e não Kylo) que diz “eles eram ninguém”. Kylo apenas dá uma apimentada estilo lado negro: “Eles eram comerciantes de lixo imundos, que te venderam por dinheiro de pinga. Eles estão mortos em uma sepultura pobre em um deserto em Jakku. Você não tem lugar na história, você vem do nada, você não é nada. Mas não para mim. Se junte a mim…. por favor.”

Holdo se prepara para entrar na velocidade da luz e Hux acha que ela está apenas tentando chamar a atenção. Rey estende a mão, mas é para pegar o sabre-de-luz de volta. Phasma está para executar Finn e Rose quando Holdo vira a Raddus e Hux manda reverter todas as armas para o cruzador. Holdo se mata, levando com sigo todos os Star Destroyers, incluindo a nave gigantesca que fora de Snoke, cortada ao meio como seu ex dono. Isso salva Finn e Rose e acaba acontecendo no mesmo momento em que o sabre-de-luz da família Skywalker se parte ao meio. Phasma decide então resolver o problema sozinha. E ela estava indo bem, não fosse Rose chamar atenção para si, permitindo Finn pegar Phasma de surpresa. Vemos apenas o olho azul de Phasma antes de ela cair no fogo. Rose, Finn e BB-8 escapam em um transporte. A luta, contudo, para mim foi decepcionante.

Phasma é o Boba Fett dessa trilogia: visual dez, conteúdo zero.

Hux chega na sala do trono e vê Snoke morto e Kylo caído. Se tem um poder que Kylo Ren possui de verdade é o de acordar momentos antes de alguém matar ele. Hux pensou demais e demorou demais para agir e foi nesse momento em que Kylo Ren, usando a Força para estrangular Hux, decidiu quem seria o novo Líder Supremo. Ah, oficialmente foi Rey que matou Snoke.

Em Crait, depois que a posição foi revelada, a Resistência não tem muito o que fazer além de fechar gigantescas portas, deixando os AT-ATs e os gigantescos AT-M6 para fora. As vulptices (singular vulptex), raposas de cristal do planeta, correm para dentro da base para fugir. Chegando lá, Rose nota que muito pouco sobrou (se tem 100 pessoas ali nessa hora é muito). A Primeira Ordem ainda trás consigo um brinquedo novo, um canhão que, segundo Finn, é uma versão miniaturizada da tecnologia da Estrela da Morte (que por sua vez é praticamente um sabre-de-luz de 160 km de diâmetro). Na planta da base, só há uma entrada e saída e a única esperança são os aliados que Leia acredita ter: ela enviou uma mensagem da base para todos os lugares em que acredita ter aliados.

Crait é o sonho molhado de um designer, com a camada de sal branco cobrindo cristais vermelhos que são revelados pelas pegadas. Aqui está a segunda dica para a batalha final. Treze ski speeders enfrentam vários andadores e TIE-Fighters na batalha, que é visualmente linda. Chewie, seu porg e Rey chegam na Falcon para salvar o dia, levando todos os TIE-Fighters junto pelas cavernas de cristal vermelho do planeta. Ainda assim, os speeders são destruídos um a um, até que basicamente sobrem Poe, Finn, Rose e mais um ou dois. Poe ordena que Finn retorne, mas assim como Poe fez com Leia, Finn ignora as ordens e está pronto para se matar. Quando o cinema inteiro se convenceu que Finn já era, Rose dá no meio dele e os dois caem. Ela beija ele na boca, diz que o ama e desmaia.

O sinal foi recebido em vários pontos, mas ninguém respondeu. Quando a esperança parece ter acabado, chega um Jedi: Luke Skywalker, de cabelo cortado e pintado (terceira dica). A cena entre ele e Leia é maravilhosa e me traz lágrimas aos olhos a cada vez que vejo o filme. É nela que Leia sabe o que mais ninguém sabe, no exato momento em que ele entrega para ela o dado dourado que Han sempre teve na Falcon. Luke passa por C-3PO, que o cumprimenta com reverência: “Mestre Luke”. É de se teorizar que os receptores não vivos do dróide também saibam o que Leia sabe. Luke dá uma piscadinha do tipo “segura aí”.

Todo mundo olha enquanto Luke caminha sozinho no buraco aberto pela Primeira Ordem. O sabre que ele carrega é o de Anakin (dica 4). A primeira vez que você assiste não há dica que resolva a coisa, dói quando Kylo Ren manda todas as armas atirarem em Luke e é Hux que tem que parar o novo Líder Supremo no meio de sua raiva descontrolada. Luke sobrevive e ainda desdenha. Kylo decide então enfrentar o próprio tio de frente.

Poe finalmente percebe que o que Luke está fazendo é ganhar tempo e finalmente percebe que as vulptices sumiram, com exceção de uma vuptex que parece estar esperando os manés caírem na real. É aí que Leia acaba entregando a direção dos quase nenhum sobreviventes para Poe: “o que estão olhando para mim, sigam-no!”

Kylo Ren foi tão esperto quanto 99% da audiência na batalha.

Luke liga o sabre de Anakin azul (dica quatro e meio). Kylo tenta atacar, mas não acerta nunca o Jedi (dica cinco). A dica seis é que o pé de Luke não deixa pegadas vermelhas. Aí vem a segunda vez que alguém fala tudo errado para Luke:

Kylo Ren: “A Resistência está morta, a guerra acabou e quando eu te matar, matarei o último Jedi”.

Luke: “Sensacional. Cada palavra do que você disse estava errada: a rebelião está renascendo hoje, a guerra acabou de começar e eu não serei o último Jedi.”

E corta para Rey levantando um caminhão de pedras para o que sobrou da Resistência fugir e dando aquele abraço no Finn. Com a sua missão cumprida, Luke desliga o sabre e não é acertado por Kylo Ren, que tenta de novo, apenas para finalmente notar (junto com o público) que Luke não está lá. “Te vejo por aí, garoto”.

Ahch-To. Luke cai, esgotado pelo esforço de criar uma projeção de si mesmo no outro lado da galáxia. Rey e Leia sentem o penúltimo Jedi partindo, deixando apenas suas vestes no chão. Esse era o momento que eu não queria que acontecesse, muito mais do que a morte de Han. Mas, muito mais do que a morte de Han, essa cena foi tão linda, tão bem feita, que me deixou muito feliz de ter tido a oportunidade de ver. Luke morreu em paz e com propósito.

Ren entra na base, apenas para ter um último Force Skype com Rey, que fecha a Falcon e se fecha para ele. Na Falcon está tudo o que restou da Resistência: C-3PO e R2-D2 se reencontrando, BB-8, Leia e Chewie tendo o abraço que não aconteceu no Episódio VII, Rey e Poe se apresentando oficialmente e Finn abrindo uma gaveta para pegar um cobertor para Rose. Prestou bastante atenção na gaveta? Yoda aponta para Luke que não há nada na árvore que a garota Rey não tenha. Ela roubou os livros sagrados Jedi e escondeu na gaveta. Sem Luke e com tão pouca gente, Rey não sabe como reconstruir a Rebelião, ao que Leia aponta que eles tem tudo o que precisam. Fim!

Opa… não foi não. Corta para algum tempo depois em Canto Bight: as três crianças que vimos estão recontando a batalha de Crait, o retorno de Luke Skywalker, Mestre Jedi. Um dos meninos pega a vassoura com a Força e vê uma nave entrando na velocidade da luz enquanto usa o anel da Resistência dado por Rose. Há esperança na galáxia…

O que eu gostei:

Em nenhuma ordem específica:

  • Praticamente o filme todo! The Last Jedi é, para mim, hoje, um filme no Top 3 de Star Wars. Provavelmente Top 2, só perdendo para Império!
  • O Mestre Jedi Luke Skywalker: OK, o Luke do início do filme não é o personagem que vimos pela última vez 30 anos atrás em O Retorno de Jedi. Também não é o personagem a que nos acostumamos no antigo Universo Expandido Legends. É um Luke que passou por experiências Luke começa como um homem quebrado, que perdeu a fé de que os Jedi são bons para a galáxia. O filme explora um pouco do que aconteceu nesses 30 anos, centrando na fatídica noite onde Ben Solo se mostrou como alguém do lado sombrio. Obi-Wan já dizia que muitas das verdades a que nos apegamos dependem muito de pontos de vista. Os três flashbacks são claros em mostrar diferentes pontos de vista de uma coisa, desde a cara de louco de Luke na lembrança de Kylo, com Luke atacando primeiro, à cara de medo de Ben Solo e o desespero de Luke não atacando em sua própria lembrança do corrido. Luke se culpa não só pelo sobrinho e pelos pupilos que o seguiram (seriam eles os cavaleiros de Ren?), mas por todas as mortes de seus outros pupilos. Junte a isso uma nova visão do equilíbrio da Força (compartilhada também por Snoke), de que quando a luz cresce, as sombras crescem também e vice-versa, faz sentido chegar à conclusão de que retirar os Jedi da equação pode ajudar. Talvez não é a que eu e você chegaríamos, ou mesmo a que Luke chegaria 30 anos antes, mas na história da franquia, Luke não é o primeiro Jedi (ou não-Jedi) a chegar a essa conclusão. Partindo do fato de que ele chegou a essa conclusão, todas as ações de Luke até o ponto em que ele se encontra com Yoda são baseadas nelas e lógicas – incluindo jogar o sabre-de-luz fora. E o final, com a redenção de Luke, voltando a acreditar nos Jedi, voltando a acreditar na esperança e se sacrificando para devolver a esperança à galáxia, para ser a lenda que a galáxia precisava. A lenda que a Resistência/Rebelião precisava para ser salva. Luke começa o filme como um estranho e termina como o herói que salva a galáxia novamente, sendo o Jedi mais poderoso que já vimos. Lindo.
  • A sua teoria sobre o Snoke não importa: Por dois anos muitos fãs de Star Wars entraram na discussão de quem é Snoke. Mais do que a discussão de quem eram os pais da Rey (ver item abaixo), a discussão sobre Snoke era baseada no nada. Não há absolutamente nada em O Despertar da Força que indique a necessidade de explicar quem Snoke é, como tampouco há a dúvida de algum personagem. Snoke é Snoke e ninguém mais. Snoke não foi mais para essa trilogia do que Palpatine na trilogia clássica, o líder malvadão do grupo pseudo-nazista e que é mestre do vilão principal. A trilogia clássica funciona sem ninguém nunca saber quem é Palpatine, sem ninguém sequer saber seu nome! Rian Johnson chegou até a comentar a falta de informação após o filme ter saído: “Teria parado qualquer uma dessas cenas se ele tivesse parado e pronunciado um discurso de 30 segundos sobre como ele é Darth Plagueis … Não é importante para Rey. Se ele tivesse feito isso, Rey teria piscado e dito: ‘Quem?’ E a cena teria acontecido … e eu não estou dizendo que ele é Darth Plagueis!”. Ou seja, não é um mistério importante para os protagonistas, como não era na trilogia clássica a identidade do Imperador. Só foi um mistério para os Jedi nos prólogos (e aí já não era mais para a gente). Lembrando que para os mais detalhistas, com certeza haverá no futuro uma HQ ou livro. Alguma curiosidades sobre os mistérios de Palpatine são:
    • O nome Palpatine nunca foi dito em tela até 1999, tendo aparecido somente na novelização de O Retorno de Jedi.
    • Apenas com A Ameaça Fantasma, 19 anos depois da primeira aparição do Imperador em tela, que se confirmou que ele era um Sith!
    • O livro de 1996 Shadows of the Empire chega inclusive a dizer que apenas Vader era um Sith e que Palpatine era um Mestre Jedi.
    • O primeiro nome de Palpatine, Sheev, foi revelado apenas em 2014 no livro Tarkin.
  • Os pais da Rey eram dois ninguém: Por dois anos mais fãs de Star Wars que discutiram Snoke entraram na discussão de quem são os pais da Rey. Diferentemente do antigo Supremo Líder, houve realmente no Episódio VII a relativa construção de um mistério. Uso aqui a palavra “relativa”, pois a única pessoa fora a Rey que realmente pergunta quem é a garota é Maz Kanata. É necessário lembrar que Maz é sensitiva à Força e ao ver alguém poderoso junto com Han e conhecendo a esposa e o cunhado de Han, teria dúvidas. É uma pergunta natural, que eu e você faríamos se vemos um amigo de longa data aparecer com uma garota que não conhecemos e não necessariamente tem a resposta que os fãs (alguns deles) queriam. Um dos grandes problemas com o antigo Universo Expandido Legends era que os 137 anos pós-ANH eram centralizados apenas nos Skywalker. Mais de 120 anos após a morte de Yoda, Kol Skywalker era o líder da Ordem Jedi. Dez anos depois era Cade Skywalker o grande salvador da galáxia. Ao apresentar Rey como filha de ninguém de sobrenome famoso, Rian Johson tira Star Wars dessa prisão e mata a (falta de) lógica de alguns fãs de que para ser poderoso é preciso ser filho de alguém poderoso, que ignoram completamente o fato de que nenhum dos Jedi das prequels tinha um pai poderoso, incluindo Anakin. Não há a menor necessidade de que ela seja uma Skywalker (ou uma Kenobi, a segunda teoria mais proeminente na internet nos últimos dois anos) para que seja poderosa e que salve a galáxia. O momento em que ela, Rey, fala que os pais eram ninguém foi um dos momentos mais felizes para mim no filme e uma das melhores escolhas que Rian poderia ter feito.
  • A morte de Snoke: Normalmente aqueles que estão irritados com Snoke ser só Snoke estão também irritados com a forma que ele morreu, sem perceber que seu aprendiz o trairia (como Palpatine com Vader). Preste atenção na fala de Snoke para Rey, palavra por palavra (em tradução livre do inglês): “Você acha que não pode virá-lo. Criança patética! Eu não posso ser traído, eu não posso ser derrotado. Eu vejo a mente dele, vejo todas as suas intenções. Sim, eu vejo ele girando o sabre-de-luz para atacar. E agora, criança tola, ele o liga e mata seu verdadeiro inimigo!” Sim, Snoke vê a mente de Kylo e vê a intenção de Kylo de matar o seu verdadeiro inimigo. Mas Snoke, como Palpatine antes dele, não acredita que seu aprendiz é capaz de trair ele. A cena é forte e poderosa, um testamento à como Kylo Ren cresce como vilão, além de por todo o tempo da luta que se segue deixar a dúvida de se Ben seguirá Rey ou não. Imagino que a fala de Han em The Force Awakens, de que Snoke queria Ben apenas pelo seu poder, tenha feito o vilão pensar um pouco e ser mais esperto do que Vader. As emoções de Kylo não são muito diferentes do Anakin dos prelúdios, porém ele é, claramente, mais esperto que o avô – ainda que não seja um vilão tão puramente mal e assustador como o Vader da trilogia clássica.

O que eu não gostei:

  • Trilha sonora: Existem raríssimas trilhas sonoras do John Williams que são ruins e a de The Last Jedi não é ruim, mas não é inspirada. Todos os filmes de Star Wars tem alguns temas marcantes criado por Williams, mesmo a trilha de O Despertar da Força possui favoritos dos fãs como “Rey’s Theme”, “March of the Resistence” e “Torn Apart”, é a mixagem de som do filme que não joga a trilha como grande personagem – diferente do que George Lucas fazia. Rian Johnson também não joga a trilha em primeiro lugar, mas mesmo após algumas repetições da trilha em casa, é difícil achar uma faixa que se sobressaia. O tema de Rose, apresentado na faixa “Fun With Finn and Rose”, não é nem um pouco memorável. A única que realmente aparece é “Canto Bight”, que assim como as músicas de cantina dos outros 7 episódios, é propositalmente diferente. Então, OK, legal ter o mesmo compositor aos 85 anos fazendo todos os filmes, mas, que tal deixar pessoas que estejam em um momento um pouco mais inspirado fazer agora? A própria Lucasfilm trabalha com compositores que são muito bons em emular John Williams e ainda criar temas novos. Kevin Kiner, responsável pelas trilhas sonoras das séries The Clone Wars e Rebels é um deles. Os jogos de Star Wars sempre tem também bons compositores, como Jesse Harlin e Mark Griskey.
  • Piadas com os vilões: Star Wars sempre foi um filme com humor. Esperar um filme sério como Rogue One a cada filme da nova trilogia é pedir para ser frustrado sempre. E aí Rian Johnson abusa um pouco além das piadas, levando elas para situações com os vilões. O General Armitage Hux em particular sofre com isso, sem ter muito o que fazer de sério neste filme. Isso afeta inclusive a atuação do outrora ótimo Domhnall Gleeson, que acaba tendo reações cômicas ao ser praticamente enforcado por Kylo Ren ou fazendo cara de idiota ao repetir mais de uma vez os comandos de Ren na batalha de Crait. Torço para que J.J. Abrams traga de volta o ótimo Hux de O Despertar da Força. Do mais, as piadas não me incomodaram e são em menor número do que a internet gosta de fazer parecer.
  • CGI da Leia: A cena tem um conceito muito legal de vermos a Leia se salvando usando a Força. Mas, sério, quem aprovou aquele CGI bizarro? Provavelmente a mesma pessoa que aprovou o da Leia em Rogue One.

Outras notas:

  • A side quest do Finn e da Rose em Canto Bight: Eu não gostei , mas sou obrigado a defender a side quest do Finn e da Rose de uma reclamação: muita gente tem dito na internet que ela não afeta o filme, pois eles falharam e, na verdade, ela afeta muito. O impacto da viagem deles é justamente a batalha de Crait. Sem a viagem deles, DJ não teria escutado Poe falar do plano de Holdo. Sem escutar o plano de Holdo, DJ não teria vendido a informação. Sem vender a informação, os 30 veículos da Resistência teriam carregado quase 400 sobreviventes para Crait sem a Primeira Ordem perceber e não haveria batalha. Sem a Primeira Ordem perceber os veículos, Holdo não viraria a nave e não destruiria o Mega Star Destroyer de Snoke, e Luke não teria que salvar o dia e não morreria. Onde isso é não afetar o filme?

Mestre Yoda

Mestre Yoda na verdade se chama Jair e é um engenheiro nerd que se pudesse ganharia dinheiro com Star Wars. Como não pode, fica enfiado nos detalhes do Universo Expandido e das obras para telinha da saga o máximo que pode. Só vê uma possibilidade de Star Wars ser melhor do que é: The Beatles como trilha sonora!
  • Herbert Gonçalves Barbosa

    Acabaram com Star Wars, nem nos prequels fiquei tão desapontado. Virou filme GirlPower, os homens são maus ou malucos, As mulheres LACRAM. A cena da nave no hiperespaço é o exemplo disso. Ao invés de dar uma despedida honrosa ao grande Almirante Akbar, não! Criam uma personagem feminina para LACRAR! Só no Brasil a crítica é favorável entre fãs e youtubers! Nos EUA é quase unanimidade q este filme acabou com a mitologia Star Wars.

  • MAT 3.0

    Na boa o filme não é perfeito, mas é um dos melhores da saga. infelizmente alguns queriam um Luke de CGI dando piruetas rsrsrs e uma copia do ep5 ou 6…

    Otima critica.

  • Nilton Augusto

    Acabamos de assistir no cinema Capitulo VIII ” A DIsney Contra-Ataca”! HaHa! 30 anos esperando O mestre Jedi LUKE! A Disney transformou tudo em salsicha de fazer DInheiro!