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RESENHA | “Dívida de Honra” de Chuck Wendig

Era difícil encontrar lá fora resenhas verdadeiramente “honestas” do livro Marcas da Guerra por vários motivos. Primeiro, foi um livro apresentado como o primeiro grande romance passado após O Retorno de Jedi, que o colocou imediatamente em comparação com Herdeiro do Império e fez com que muitos esperassem uma história como a da Trilogia Thrawn, apenas para que ele se mostrasse uma história com um elenco de personagens quase inteiramente novos que não tínhamos nenhuma razão (ainda) para se preocupar. Em segundo lugar, o estilo de escrita do livro era extremamente polarizante (do qual eu gostei). Finalmente, houve um enorme choque de mídia social sobre o trabalho, estimulado por uma campanha negativa chamada “Bring Back Legends” (Traga o Legends de Volta) na Amazon, com comentários homofóbicos de alguns lugares, e o autor, Chuck Wendig, dando o melhor de si nas mídias sociais, cimentou sua personalidade on-line em muitas mentes de fãs de forma muito negativa.

Em nossa resenha do primeiro livro (vale lembrar que eu já havia lido toda a Trilogia Aftermath quando ela saiu em inglês e agora estou relendo suas publicações brasileiras.), nos concentramos na história e afirmamos que “Esperar por grandes detalhes de Luke, Leia e Han é se decepcionar, pois o livro entrega Han e Chewie em apenas um capítulo e os gêmeos Skywalker sequer aparecem – o que é condizente com todo o marketing em torno de O Despertar da Força.”

Dito isto, depois da bagunça que Marcas da Guerra gerou lá fora, fui bastante surpreendido com Dívida de Honra! Ele é um ótimo livro e que valoriza em muito o primeiro! Vamos à resenha!

Dívida de Honra traz de volta a equipe de caça imperial que se formou no final de Marcas da Guerra, composta por Norra Wexley, piloto da Nova República; seu filho Temmin “Snap” Wexley (visto em O Despertar da Força); o soldado da Nova República Jom Barell; a caçadora de recompensas Jas Emari (sobrinha da Sugi de The Clone Wars); o ex-oficial imperial Sinjir Rath Velus; e o dróide Senhor Ossudo.

Senhor Ossudo

No lado imperial, a ação se concentra em torno da Grão Almirante Rae Sloane (caracterizada freqüentemente em obras do cânone) e o misterioso Almirante da Frota introduzido no epílogo de Marcas da Fuerra, Gallius Rax.

Sloane durante seu serviço no Império

Quando Chewbacca é capturado durante sua missão com Han Solo e outros salafrários para libertar Kashyyyk sem o apoio da Nova República, Han procura resgatá-lo. Quando o próprio Han perde o contato com Leia, agora grávida (do maior filho da mãe que a Saga já viu XD), a equipe de Norra é convocada a encontrá-lo, levando-os a uma aventura para libertar os Wookiees da escravidão imperial.

Dívida de Honra se constrói em Marcas da Guerra de uma maneira que sugere que Wendig e a Del Rey ouviram as queixas dos fãs sobre o livro anterior, embora se isso é verdade dependerá do quão longe em sua criação o livro estava quando as controvérsias foram desencadeadas.

A história também se desloca para incluir Han, Chewie e Leia como mais do que apenas pequenos jogadores em interlúdios ou referências laterais, abordando a questão que muitos tiveram com Marcas da Guerra quando teve pouca (ou quase zero participaçao) do trio principal. Os fãs de Luke devem notar, no entanto, que ele já partiu para viajar pela galáxia, presumivelmente para procurar relíquias Jedi e similares, então ele não está presente aqui).

O livro também se beneficia de ser o segundo em uma trilogia. Os personagens que conhecemos em Marcas da Guerra nos deixaram perguntando por que devemos ter um livro sobre eles em vez de Luke, Han e Leia como o primeiro romance pós-Retorno de Jedi desta nova era editorial. Agora, é claro, nós os conhecemos e suas motivações. Temos uma história com eles e isso permite que o leitor invista mais neles e em suas lutas, destaque aqui para Norra e Sinjir. Dito isto, Jom Barell, que não era realmente parte do grupo em Marcas da Guerra e foi meio jogado no grupo no final, ainda parece que não ganhou muito lugar na equipe.

Os “interlúdios” freqüentes continuam nesta edição, mas você tem a sensação que algum deles vão em direção a algo, ao invés de apenas vislumbres da galáxia em geral. Um em particular, o da repórter, me deixou completamente cabisbaixo, não pela narrativa em si mas pela situação em que a Galáxia se encontrava. Vale notar que enquanto lia também ouvia o audiobook (ambos em inglês) e a dramatização com as músicas é excelente!

Nem tudo acabou em festa

Um elemento estranho do livro é o tratamento da identidade do Almirante da Frota, criado no final de Marcas da Guerra. Considerando que naquele, o autor manteve sua identidade desconhecida, construindo um verdadeiro senso de mistério para o leitor, neste livro ela já é revelada logo de cara, sem qualquer sentido de que realmente existisse algum mistério. Não há grande revelação, nem reconhecimento de que os leitores ainda não conheciam sua identidade no livro anterior. É um pequeno problema, e certamente não diminui o interessante novo mistério que é seu passado, mas é chateante ter uma das maiores questões não respondidas de Marcas da Guerra resolvidas em um nome rápido e sem detalhes, muito cedo em Dívida de Honra. Se você for construir esse mistério, deve haver uma recompensa além de, “Ah, sim, esse é o nome dele. Nós nos esquecemos de lhe contar no último livro?”

Dívida de Honra retoma os pontos fortes de Marcas da Guerra, enquanto também trabalha para corrigir algumas das fraquezas de seu antecessor. Wendig continua a pintar uma imagem convincente sobre como a galáxia estava após o Retorno dos Jedi. A ação em Life Debt se destaca como uma das melhores que já vimos até agora nos romances canônicos. Os fãs encontrarão ação suficiente, intriga política e contexto galáctico para torná-la parte essencial do novo cânone e com um anseio grande pela sua continuação. Até lá, Jakku nos aguarda.


O exemplar para esta resenha foi cedido pela Editora Aleph.

Marcelo Skywalker

Escória Rebelde do interior de São Paulo. Pode ser encontrado mais on-line do que na vida real pelo Twitter ou pelo Facebook