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RESENHA | “Darth Bane: Dinastia do Mal” de Drew Karpyshyn

Vinte anos se passaram desde que Darth Bane, o atual Lorde Sombrio dos Sith, destruiu a antiga ordem dedicada ao Lado Sombrio e a reinventou como um círculo de dois: um mestre para exercer o poder e transmitir a sabedoria, e um aprendiz para estudar, desafiar e destituir o lorde sombrio em um duelo até a morte. Mas Zannah, a aprendiz de Bane, ainda não desafiou seu mestre para um duelo mortal, deixando-o em dúvida sobre ser uma sucessora digna. Determinado a não deixar que o sonho dos Sith de dominar a galáxia morra consigo, Darth Bane parte para descobrir o segredo de um antigo Lorde Sombrio que irá assegurar a imortalidade dos Sith – e a sua própria.



A primeira coisa que devo dizer sobre este livro é que ele é recheado de tramas! Como capítulo final de uma trilogia, você espera que a história apresentada em seus volumes anteriores caminhe para um final e tramas sejam encerradas. Não deveria haver tempo para se criar mais, correto? ERRADO! Dinastia do Mal foge completamente dessa regra.

Os dois primeiros volumes introduziram personagens secundários apenas para, ao final de cada livro, encontrar a morte pelas lâminas de Bane e Zannah. Personagens que eu arriscaria chamar de quartenários, que passaram pela história anterior em um nível de aparente insignificância são reapresentados em Dinastia do Mal ganhando maior profundidade e destaque. Dentre eles encontramos Serra, filha de Caleb, o curandeiro morto no livro anterior. Mineiros em uma revolta contra a realeza tiraram a vida de seu noivo, o príncipe de Doan. A guarda-costas de Serra, Lucia, contrata uma assassina para matar os responsáveis. Lucia é ex-integrante do exército Sith e subordinada de Bane no livro Caminho de Destruição. Tais personagens, pequenos no primeiro romance, desempenham papéis extremamente cruciais neste livro.

Também somos introduzidos ao conceito dos Jedi Sombrios: um ex-Jedi que começou a adotar as práticas do Lado Sombrio. Não é alguém que tenta viver entre a escuridão e a luz; em vez disso, eles deixaram o caminho Jedi mas mantêm seu treinamento e poder. Dos Jedi Sombrios temos os personagens Set Harth e a assassina contratada por Lucia (a qual não revelarei a identidade para não estragar nada).

Estou no quarto parágrafo e ainda não falei de Bane. É proposital pois dos onze primeiros capítulos (contando o prólogo), Bane aparece apenas em três. O seu papel é intercalado com as outras tramas principais que acabam sendo maiores que as dos livros anteriores e isso é um pequeno porém. Tudo o que antecede a batalha final é extremamente interessante, mas é difícil deixar a sensação de que muito é escrito para preencher espaço antes do confronto final.

Livre dos parasitas Orbalisks no livro Regra de Dois, Bane se torna obcecado em criar seu próprio Holocron. Agora, o desgaste da idade está alcançando o Sith e a contração incontrolável em seus nervos é irritante e um lembrete de sua mortalidade. Isso faz com que Darth Bane ganhe novos níveis de profundidade e continue um personagem extremamente carismático. Ele não se opõe em usar a Força para conseguir o que quer, mas prefere os meios da astúcia e subterfúgio.

É neste romance que Darth Zannah realmente brilha, desempenhando um papel maior e se tornando uma personagem mais solidificada. Ela é esperta, implacável e assim como nos romances anteriores, você torce por seu sucesso mesmo sabendo que no fim de tudo os Sith destruirão os Jedi e a República. A jornada de Zannah pelo Lado Sombrio é drasticamente diferente da de Bane. O caminho dele para as trevas foi como um trágico acidente enquanto Zannah fez a escolha de seguir seus ensinamentos. Ela é uma Sith incrível, com um poder assustador e vale mencionar que é responsável, no volume anterior, pela cena mais grotesca e bizarra do uso da Força que já vi no universo Star Wars seja ele canon ou legends.


Darth Zannah


O confronto final da trilogia é fantástico. Nem sempre é interessante ler uma batalha de sabre de luz pois é difícil capturar o movimentos e as coreografias. Por conta disso, Karpyshyn adiciona muito pouco disso na luta e foca muito mais nos poderes individuais de Bane e Zannah. Existe uma piada interna entre os fãs: se a Força é tão poderosa, por que todo duelo apresentado nas trilogias cinematográficas os combatentes esquecem a Força e partem para a porradaria com os sabres?

Aqui é diferente e o conflito é entre o grande domínio da Força de Bane, concentrando-se no ataque e ameaçando derrubar sua aprendiz que assume uma postura defensiva. Por outro lado, a feitiçaria Sith de Zannah, sua proeza intelectual e sua astúcia fazem dela mais do que uma competidora a altura, enfrentando a força de Bane com sua mente. A luta vai e volta continuamente, tornando difícil saber quem pode ganhar.


O duelo final


Dinastia do Mal continua a dar um novo e maravilhoso ponto de vista ao Universo Expandido, através dos olhos dos Sith. A aventura não apenas culmina os dois romances anteriores mas também nos presenteia com um ótimo final que os leitores esperavam desde a publicação de Caminho de Destruição em 2017, nas nossas terras tupiniquins. Assim como a grande Saga X-Wing, a Trilogia Darth Bane é outra das estrelas mais brilhantes do Universo Legends.


O exemplar para esta resenha foi cedido pela Universo Geek.

Marcelo Skywalker

Escória Rebelde do interior de São Paulo. Pode ser encontrado mais on-line do que na vida real pelo Twitter ou pelo Facebook