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Aftermath

[RESENHA] Aftermath – Marcas da Guerra, de Chuck Wendig

Aftermath (Marcas da Guerra, na versão da Editora Aleph) é o primeiro item do novo cânone pós-ROTJ e conta alguns detalhes do primeiro ano após a batalha de Endor. Logo fica claro que, assim como em Uma Nova Esperança, em O Retorno de Jedi também apenas a Estrela da Morte foi destruída. E embora a morte de Palpatine e de Vader dê muita força para a Rebelião, o Império ainda existe. Siga conosco neste review da primeira aventura da Nova República contra o velho Império!

Este review possui alguns spoilers, mas não vai estragar o final!

Opinião do M’Y: Por mais que todos os outros livros tenham seu nível de interesse, este é o que mais interessa a qualquer um que queira ver O Despertar da Força. Por isso decidi, além do livro, adquirir também o audiobook, uma versão lida por Marc Thompson. É fantástico ouvir a trilha dos filmes enquanto Marc lê o letreiro e ouvir a voz do Almirante Ackbar no prelúdio.

O livro segue alguns personagens que talvez não estejam na lista de preferidos dos fãs, visto que apenas Wedge Antilles e Rae Sloane são conhecidos. O restante, incluindo o planeta onde a maioria da história se passa, são todos novos. Ainda assim, uma característica dos livros chama a atenção: existem interlúdios em outros planetas que nos deixam com aquele gostinho de quero mais.

Em Coruscant vemos o que acontece com a famosa cena das edições mais recentes da trilogia clássica onde a estátua de Palpatine é destruída: a multidão a puxa, mas a polícia imperial ataca sem qualquer aviso. Uma criança pergunta para seu pai como estava começando uma batalha se a guerra havia terminado. Seu pai, com lembranças das Guerras Clônicas, responde que a batalha está só começando.

O planeta Chandrilla é a sede do Novo Senado Galáctico e da Nova República. Uma TV – se é que podemos chamar assim – está entrevistando a assistente da nova Chanceler Mon Mothma, Olia Choko, que em um certo ponto do livro é atingida por frutas podres atiradas por um único alien, dizendo que seu planeta ficou pior após a vitória rebelde – nem tudo são flores! Ainda mais quando a Chanceler manteve os “poderes emergenciais” que Palpatine teve durante as Guerras Clônicas!

O mais legal e irônico dos interlúdios ocorre em Jakku, alguns meses antes da batalha vista no livro Lost Stars (Estrelas Perdidas, leia nossa resenha aqui) e no jogo Star Wars Battlefront, que deixou as naves que vemos nos trailers de TFA: Corwin perdeu tudo na guerra e escolheu Jakku pois acredita que a guerra jamais chegará lá – pobre rapaz não viu nenhuma notícia sobre Battlefront.

Outros interlúdios incluem Naboo, Tatooine, Bespin, Sevarcos, Taris e uma certa Millenium Falcon no hiperespaço, deixando um plot aberto para o segundo livro da trilogia.

Rae Sloane e Kanan Jarrus no livro Um Novo Amanhecer (A New Dawn)

Rae Sloane e Kanan Jarrus no livro Um Novo Amanhecer (A New Dawn)

Ná história principal, Wedge Antilles, anteriormente o Líder Vermelho, acima do planeta Akiva na Orla Exterior, caçando bases dos remanescentes do Império – quando encontra dois Star Destroyers. Em um dos Star Destroyers está a Almirante Rae Sloane – a primeira boa surpresa do livro, visto que esta personagem foi criada para Um Novo Amanhecer, quando era apenas uma Capitã.

Norra é uma piloto da Aliança Rebelde – recém Nova República – que está voltando para seu planeta natal, justamente Akiva, atrás de uma coisa: seu filho. Ela tem no planeta também sua irmã e sua cunhada – e pelo menos dessa vêz as personagens gays não são afrontas, como em Lords of the Sith, onde temos uma lésbica drogada que abusa de escravas twi’leks.

Rae acredita que o que sobra do Império são párias e convoca uma reunião das maiores lideranças vivas, para tentar dar um rumo para um império despedaçado – pegou o trocadilho? Porém, as reuniões em Akiva se tornam discussões constantes entre o auto-intitulado Grand Moff Valco Pandion, o banqueiro Arsin Crassus e a estrategista Jylia Shale. Mas é quando o conselheiro Yupe Tashu fala que vemos alguns dos planos de Palpatine: ele acreditava que seu poder vinha das partes desconhecidas da galáxia e enviou pessoas para essas áreas construir laboratórios e estações de comunicação. Tashu acredita que o Império deve se reestruturar nestas áreas.

Mr. Bones - Fonte: http://radetzkymarch.tumblr.com/

Mr. Bones – Fonte: http://radetzkymarch.tumblr.com/

Temos ainda Temmin, filho de Norra, um ex-imperial bêbado (também gay) chamado Sinjir Rath Velus e a caçadora de recompensas Jas Emari como personagens principais, além do Sargento Major Jom Barrel. Mas a melhor adição ao cânone que o livro faz é Mister Bones (Senhor Ossos), um dróide de batalha B1 alterado por Temmin em uma áquina de matar com traçoes de megalomania e psicopatia. Mister Bones é o robô mais divertido de ler que já vi no universo expandido, seja ele novo ou antigo – e fica ainda melhor na sua voz doentia do audiobook.

Conclusão do M’Y: Aftermath inicia uma trilogia de mesmo nome, mas tirando alguns ganchos bem pequenos, sobrevive por si mesmo. Esperar por grandes detalhes de Luke, Leia e Han é se decepcionar, pois o livro entrega Han e Chewie em apenas um capítulo e os gêmeos Skywalker sequer aparecem – o que é condizente com todo o marketing em torno de TFA. Eu não quero saber o que acontece com eles antes de 17 de dezembro!

Da história em si, Mr. Bones me deixou com muita vontade de ler as continuações e as implicações dos interlúdios acabaram salvando meu interesse pela trilogia em geral. Achei muito curioso que Mothma mantivesse os poderes emergenciais de Palpatine. Ela ainda é humana o suficiente para desmilitarizar a nova República em 90% (o que pode ser um grande erro), mas fico pensando no que um sucessor poderia fazer com isso. Chewie e Han acabam tomando uma decisão de abandonar uma missão da República e partem em uma quest própria, o que também pode ter reverberações futuras.

TFA vai demorar demais pra sair!

Nota do M’Y: 8.0 (0 a 10)

Você pode comprar Marcas da Guerra aqui.

Mestre Yoda

Mestre Yoda na verdade se chama Jair e é um engenheiro nerd que se pudesse ganharia dinheiro com Star Wars. Como não pode, fica enfiado nos detalhes do Universo Expandido e das obras para telinha da saga o máximo que pode. Só vê uma possibilidade de Star Wars ser melhor do que é: The Beatles como trilha sonora!