contato@jedicenter.com.br
Darth Sidious

O que o Imperador planejava antes de sua morte?

Star Wars: A Ascensão Skywalker está cada vez mais próximo de seu lançamento nos cinemas. Entre os incontáveis mistérios que o filme nos reserva – sem dúvida – o mais intrigante de todos até agora será o retorno do sombrio Imperador Palpatine.

A sua risada maléfica ao final do primeiro teaser causou delírios no público, instigando sobretudo os fãs de carteirinha da saga.

No artigo de hoje, não abordarei exatamente a participação do Imperador no Episódio IX. Entretanto, acredito que o tema da publicação esteja relacionado, mesmo que só um pouco, com o derradeiro longa-metragem do universo. Se você ainda planeja ler a trilogia Aftermath, aconselho que volte aqui apenas depois de terminar as histórias. Ao longo do post, mostrarei alguns trechos do último livro, denominado Fim do Império.

O intuito de explorar as passagens da narrativa de Chuck Wendig é entender quais eram as ideias de Palpatine. Para os que acompanham o universo expandido, sabem que Sheev possuía um segundo plano destinado ao seu Império, caso este ruísse. Curiosamente, essa estratégia já era considerada pelo Imperador antes de sua morte.

A seguir, serão descritos e analisados o prelúdio A Segunda Estrela da Morte Sobre Endor e o interlúdio A Imperialis, 25 Anos Atrás. Esses dois capítulos destacam os diálogos de Palpatine com Gallius Rax, o grande vilão de Aftermath, a respeito da Contingência.

Prelúdio – A Segunda Estrela da Morte Sobre Endor

Estrela da Morte

A Estrela da Morte em A Ascenção Skywalker

 

O leitor de Fim do Império é introduzido com um flashback. Nele, temos uma lembrança de Gallius Rax visitando pela primeira vez as instalações da Estrela da Morte. Durante os primeiros parágrafos, descobrimos que Rax não tivera a oportunidade de conhecer a primeira versão da superarma imperial. Isso porque o Imperador planejava que Gallius atuasse em prol de seu governo somente no momento correto, que inicia-se justamente neste prelúdio.

Faz muitos anos desde que Rax viu Palpatine de perto. O horror que ele já vira sobre o rosto do homem agora estava entalhado em sua pele e encarnado. A visão do imperador tira seu fôlego, rouba-lhe parte das forças, e seus joelhos quase cedem. Palpatine tem a presença de uma estrela em colapso e o vazio destruidor que resulta dela. Ele atrai a pessoa. Tira algo dela. E uma força flageladora e terrível.

Palpatine demonstra preocupações com o futuro de seu regime. Ele ordena que Rax permaneça isolado dos eventos que ocorrem em O Retorno de Jedi, e espere o conflito ser resolvido. Com isso, enfim chegaria a hora do grande plano B do Imperador mencionado anteriormente – a Contingência, ser executado por Gallius.

Meu garoto. Meu garoto precioso. Você está pronto para ser o Pária? Está preparado para se tornar a Contingência, se chegar a esse ponto? Haverá outros que deverá chamar para o seu lado.

Rax afirma estar preparado, mas reflete sobre as consequências de assumir o pedido de Sidious. A Contingência deveria ser colocada em prática no território de Jakku, o qual não trazia boas recordações para Gallius, conforme é explicado nos capítulos seguintes. O planeta arenoso foi onde o vilão viveu de modo sofrido sua infância, até ser encontrado por Palpatine. Entretanto, para que o Império tivesse uma perspectiva, Gallius Rax precisava encarar os seus traumas.

Então vá. O tempo é precioso. Uma batalha logo desabará sobre nós.

– O senhor a vencerá, com toda a certeza.

Outro sorriso perverso.

– Sim. De um jeito ou de outro.

A Imperialis, 25 Anos Atrás

Em outra memória distante, o interlúdio A Imperialis apresenta Rax saindo de Jakku após dez anos de afastamento. O temido oficial encontra-se divagando sobre quem teriam sido os seus pais – e a razão pela qual lhe abandonaram. Traçando um breve paralelo, podemos nos lembrar de Rey. Todavia, o personagem descarta esse pensamento e passa a ficar angustiado com a sua reunião iminente com Palpatine. Desde o prelúdio resumido acima, é neste capítulo que Gallius volta a ver a figura do Imperador.

Ele teme que a morte seja o resultado. Ele tem sido usado para um propósito e, agora, esse propósito acabou. O Observatório está construído. Galli fez o que tinha que fazer para manter todos afastados. Ninguém descobriu o lugar, que agora está enterrado sob as areias perto da Mão Lamentosa. Minha utilidade acabou, ele pensa.

Percebendo o medo de Rax, Sidious diz ao seu súdito que há relatos sobre a lealdade nos últimos anos deste para com o Império. O plano secreto de Palpatine havia sido concluído nas sombras por Gallius, e isto agradou o assustador Lorde Sith. Contudo, Gallius Rax temia que o desfecho do projeto também significa-se o seu fim. Isto é, ele não possuiria mais utilidade a partir de então. Felizmente para o homem, Sheev expressa que Rax teria uma finalidade a ser revelada.

Você tem um destino. Aqueles com um destino estão fadados a lutar pela vida, porque a vida e o destino estão irrevogavelmente entrelaçados.

O alívio de Gallius aumentou ao descobrir que Sidious lhe mandaria à um lugar distante de Jakku. Porém, o sentimento rapidamente se transformou em preocupação mais uma vez. O Imperador revelara que, talvez, Rax precisasse retornar ao planeta. Por sua vez, o oficial tentou demonstrar um certo incômodo com essa descoberta, mas Palpatine tratou de mudar o rumo da conversa como de costume.

– No entanto, pode ser o seu destino. Essa parte não está clara. – Palpatine se inclina para a frente, desenhando linhas invisíveis sobre o estranho tabuleiro com um dedo. – Você conhece este jogo, Galli?

A troca de assunto para um jogo de tabuleiro soaria aleatório se fosse proposta por personagens engraçadinhos, a exemplo de Han Solo. No entanto, sabemos que Darth Sidious sempre tem segundas intenções. E aqui o cenário não é diferente, expondo o ponto central a respeito das ideias maléficas do Imperador. O Sith utiliza-se do antigo jogo de xadrez a fim de comentar acerca do futuro do seu regime.

Eu preciso que você entenda não só como as peças se movem, mas por que se movem. Não só como jogar, mas por que jogamos. – Palpatine sorri. – Ouça com atenção.

Descrevendo as peças com um cuidado enorme, Palpatine exemplifica o funcionamento do jogo para Gallius. Aos interessados, pesquisem depois desta leitura por Shah-tezh na Wookieepedia. Sheev se deu ao trabalho de mencionar todos os elementos e particularidades do game, mas optou por frisar um em especial: o Imperador.

Cada peça existe a serviço de outra peça. – Aqui, o professor ergue a última figura do tabuleiro, a peça de túnica, semelhante ao próprio Palpatine. – O Imperador. Todas as peças do demesne estão aqui para proteger o Imperador. Se o Imperador cair, o jogo acaba. Isso acontece independentemente de quantas peças permaneçam no tabuleiro. Entende?

Rax ficara confuso se de fato todo o ensinamento sobre o jogo detinha algum significado por trás. Ele somente percebeu que a conversa não era arbitrária quando Sidious indagou qual lição havia sido dada ali. Temendo responder erroneamente, Gallius afirmou que sem a presença do Imperador, o demesne – nome atribuído ao tabuleiro, não sobreviveria. Palpatine gostou parcialmente da resposta:

Isso é correto. Isso é perspicaz. Mas não é inteiramente correto. Não é simplesmente que o demesne não pode sobreviver. E que aqueles que permaneceram não merecem sobreviver. Elas têm um único papel. Esse papel é proteger o Imperador. Se um Império não consegue proteger seu Imperador, então este Império deve ser considerado um fracasso. O Império entra em colapso não só porque sua figura central sumiu, mas porque não se deve permitir que continue!

A ideia de que o Império poderia ser derrotado irritava Sidious. Apesar disso, o Sith sabia que um dia esse dia chegaria. Assim sendo, os seus planos deveriam ser reestruturados ao longo prazo. E Gallius fazia parte da transição tramada pelo Imperador. Ele passaria a ser a Contingência em pessoa.

Isso significa que chegou a hora de se juntar ao Império. Você vai me servir de qualquer forma que eu possa exigir, e, se tudo der certo, vai permanecer como a Contingência. Se falhar comigo, então encontrarei outro, pois esse papel tem um grande propósito e destino.

A Contingência

Droide Sentinela

O droide Sentinela em Battlefront II

 

Imagino que você notou que a Contingência é uma expressão empregada com frequência nos capítulos resumidos. Os leitores de O Fim do Império certamente já conhecem bastante em relação ao termo, mas elucidarei também aos que foram introduzidos hoje ao tema. Sucintamente, a Contingência era (é) o plano definitivo do Imperador. Mesmo estando supostamente morto, as vontades de Sidious continuam sendo satisfeitas. Vamos prosseguir com o entendimento do assunto.

Na prática, a Contingência iniciou-se no Observatório de Jakku, citado no interlúdio A Imperialis. Essa construção era apenas uma de muitas estabelecidas por Palpatine em toda a galáxia. De maneira proposital, o observatório foi construído em cima de um poço que levava ao núcleo do planeta. O plano envolvia derramar relíquias e artefatos Sith para detonar o centro de Jakku, provocando um evento que destruiria o planeta. Se compararmos com o jogo de Shah-tezh, Sidious visualiza a situação como um meio de destruir o resto do Império e seus inimigos simultaneamente.

Palpatine começou a estabelecer Observatórios antes do começo do Império Galáctico, infundindo cada um com um propósito: alguns iriam abrigar antigos artefatos Sith, outros guardariam os projetos de armas potentes (ou as próprias armas), outros ainda serviriam como prisões, empregando a força vital dos prisioneiros para uma variedade de objetivos estranhos.

E onde Gallius se encaixava nessa história? No caso de sua própria morte, o Imperador pretendia que Rax cumprisse a Contingência. Para transmitir ordens mesmo estando morto, Palpatine criou droides sentinelas que se comunicavam com oficiais imperiais de sua confiança, dignos. O jogo Star Wars Battlefront II (2017) e os quadrinhos Império Despedaçado (2015) mostram um pouco desses robôs.

Mas Palpatine tinha alguém na marinha que conhecia algo das Regiões Desconhecidas: o almirante Thrawn, que veio de fora das margens da galáxia conhecida. Palpatine só o mantinha próximo por causa do que ele sabia sobre atravessar aqueles interstícios mortais. Grande parte do que Thrawn conhecia foi inserida nos computadores desta máquina.

Por fim, Gallius e Palpatine decidiram que a Contingência deveria preservar oficiais seletos do Império – somente os mais fortes e com capacidade de recomeçar do zero. Brendol Hux era um desses homens. Logo, os subordinados escolhidos a dedo precisavam ser protegidos. A saída encontrada foi enviá-los para as Regiões Desconhecidas. Usando informações obtidas do Grande Almirante Thrawn, antigos computadores de dentro do Observatório de Jakku traçaram por anos rotas através dessas áreas. Tendo uma caminho seguro mapeado depois de décadas, Rax enviou o Star Destroyer Eclipse antecipadamente para as Regiões Desconhecidas. Lá, a Primeira Ordem surgiu.

O Imperador vive

Já não restam mais dúvidas de que veremos o Imperador em A Ascenção Skywalker. O próprio poster do filme indica que o personagem será um dos principais da trama. Isso me leva a pensar que Sidious, de alguma forma, enganou a morte. Sobretudo se levarmos em consideração o plano da Contingência. Ficou claro que mesmo antes de O Retorno de Jedi, Palpatine sabia como agir, o que deveria ser feito em caso de o seu regime falhar. E pouco me assustaria caso a Contingência, no final das contas, revelasse ao Sith uma via para a imortalidade ou algo próximo disso.

Um dos últimos trechos de O Fim do Império corrobora com a hipótese, e creio que deixará você pensativo até o mês de Dezembro.

O Imperador estava convencido de que alguma coisa esperava por ele lá lora – alguma origem na Força, alguma presença sombria formada de substância malévola. Ele disse que conseguia sentir as ondas daquilo radiando agora que o caminho estava claro. O Imperador alegava que era um sinal – convenientemente, um sinal que só ele conseguia ouvir. Mesmo seu maior apoiador, Vader, parecia não o identificar. Ele acreditava que havia algo além, então isso se tornou uma obsessão singular.

Lucas Dirani

Fanático por Star Wars desde os 6 anos, teve o seu primeiro contato com a saga assistindo os filmes da trilogia clássica e jogando Super Star Wars de SNES. Atualmente escreve para o site Jedicenter e coleciona todos os materiais da franquia, desde livros/HQs até action figures.