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Guerra Antes das Estrelas #1 – Metropolis (1927)

Metropolis é, para os fãs de Star Wars, o filme do C-3PO. Quem não conhece aquele desenho que encantou Anthony Daniels e o levou a ser o robô dourado mais conhecido da história? Muitos sabem que aquele desenho é baseado no robô/andróide  do filme mudo alemão Metropolis, mas poucos sabem realmente a sua história e viram o filme. E você?

Guerra Antes das Estrelas é a nossa seção sobre filmes que inspiraram Star Wars (e eventualmente que foram inspirados por Star Wars).

Maschinenmensch no poster de 1927.

O filme: Metropolis é o maior e mais importante longa metragem de ficção científica do cinema mudo. Foi filmado pelo diretor alemão Fritz Lang em 1927 baseado no livro de mesmo nome publicado em 1925 por sua então mulher e co-roteirista Thea von Harbou. Foi o maior orçamento da história até então, no valor de 5.1 milhões de Marcos (que na época levavam o nome de Reichsmark), com um dólar igual a 4.21 Marcos igual a o equivalente a 1.2 milhões de dólares na época . Uma conta simples traz os $1.2 milhões de dólares de 1927 para $16.65 milhões de dólares hoje, o que é bem pouco para um filme nos dias de hoje. Mas vale notar que em 1927 nos EUA apenas 5 filmes tiveram bilheteria de mais de 1.5 milhões de dólares. Vale saber que o filme mais do que triplicou seu orçamento inicial, que era de 1.5 milhões de Marcos.

As filmagens foram de maio de 1925 até outubro de 1926 e a atriz Brigitte Helm chegou a desmaiar durante as filmagens na fantasia de Maschinenmensch. O filme foi lançado originalmente com 153 minutos (considerando um filme a 24 quadros por segundo, coisa que não era padronizada nesta época) na Alemanha, mas foi considerado longo demais e teve versões dilaceradas pelos estúdios em outros países: versões de 115 minutos e até de 91 minutos foram lançadas em outros países e na Alemanha entre 1927 e 1936. Isso levou ao fato de que a versão original do filme se perdeu totalmente até os dias de hoje. Várias reconstruções foram tentadas através dos anos, sendo as mais conhecidas::

  • Giorgio Moroder Presents Metropolis – 1984: Praticamente um assassinato, esta versão tem apenas 83 minutos, foi colorida e teve a trilha sonora clássica substituída por cantores da década de 1980. A música “Love Kills” de Freddie Mercury foi criada para esta versão. A versão teve também os clássicos interlúdios substituídos por legendas modernas.
  • Restored Authorized Edition – 2002: Esta versão contou com cenas encontradas após o lançamento da versão de Moroder e chegou a 118 minutos. A trilha sonora foi uma regravação da trilha sonora original, composta por Gottfried Huppertz.
  • The Complete Metropolis – 2010: A mais completa versão, com apenas 5 minutos a menos que a original, pode ser feita graças a duas cópias de filme de 16 mm encontradas na Argentina em 2008 e na Nova Zelândia em 2005. A trilha sonora foi novamente regravada para esta versão, a única a conter a menção à personagem Hel.

Trailer da versão de 2010.

A história: O filme se passa em um futuro muito distante (2026, 99 anos depois do lançamento) onde trabalhadores vivem no subsolo da cidade de Metropolis, enquanto a alta sociedade vive na cidade alta. Joh Fredersen é o mestre da cidade, o cargo mais alto, que vive no prédio mais alto, chamado de Torre de Babel, em clara alusão bíblica. Ele mantém seu filho Freder em um jardim de prazeres, sem ter que trabalhar. É neste jardim que Freder se apaixona por uma trabalhadora, Maria, que havia levado crianças filhas de trabalhadores para poderem ver como os ricos viviam. Freder então desce até a fábrica da cidade atrás de Maria e acaba vendo um acidente onde vários trabalhadores morrem. Quando seu pai pouco se importa com as mortes, Freder se rebela contra o pai. Mapas encontrados nos bolsos de trabalhadores mortos o levam até um culto abaixo da cidade onde Maria profetiza sobre a chegada daquele que ligará os trabalhadores aos aristocratas. Freder acredita ser essa pessoa e declara seu amor por Maria.A mãe de Freder morreu durante o parto e o cientista Rotwang, que a perdeu para Fredersen, quer se vingar de Fredersen. A oportunidade surge quando Fredersen pede a Rotwang deixar sua invenção, a Maschinenmensch (máquina-homen, em tradução literal do alemão), com a cara de Maria e acabar com a sua reputação. Rotwang, que havia criado a robô como maneira de “reviver” Hel, vê nisso um jeito de destruir Fredersen e Freder, enquanto finge cooperar. A cena da transformação de Maschinenmensch em Maria é muito boa, um verdadeiro clássico do cinema.

De um lado, a cena da transformação da Maschinenmensch em Maria. Do outro, a atriz Brigitte Helm com 19 anos dentro da armadura, feita de um material conhecido como madeira-plástica. A armadura foi pintada de um tom entre o dourado e o cobre.

A história tem várias reviravoltas, com Rotwang sequestrando a verdadeira Maria, a Maria falsa trabalhando em uma boate como dançarina e levando os trabalhadores a se rebelarem e destruírem a máquina central da cidade, chamada de Máquina-Coração. Essa destruição faz a cidade subterrânea dos trabalhadores ser inundada e  coloca em risco todas as crianças da cidade, que são salvas pela Maria verdadeira e por Freder, que as levam par ao jardim onde Freder ficava. Porém, os trabalhadores acabam perseguindo ambas as Marias, considerando-as feiticeiras (e sem saber que haviam duas). No fim, a Maschinenmensch “morre” queimada e Freder acaba sendo aquele que faz o acordo entre chefes e trabalhadores. “O Intermediário entre a mão e o cérebro é o coração”.

A torre de Babel e a cidade de Metropolis.

Considerações: Há poucos paralelos na história de Metropolis com a de Star Wars. Há uma rebelião aqui da população contra o governo, mas ela acaba sendo resolvida pacificamente através da aparição do “escolhido”. Há uma ligação clara aqui entre a história do filme e o que se passava na Alemanha poucos anos antes do nazismo: a rebelião faz um acordo com o governo tirano. Isso fica mais claro ainda quando sabemos que na década de 1930 a autora Thea von Harbou entrou no Partido Nazista, enquanto seu marido Fritz Lang se separou dela, fugiu para a França e depois EUA após um de seus filmes ser alvo da censura local. Lucas, sempre fascinado por visuais, deve ter guardado em sua cabeça a imagem de uma Maschinenmensch masculina e como grande editor que foi, com certeza estudou bastante este filme. Fritz, que morreu em 1976 após uma longa carreira, demonstrou várias vezes não gostar do filme e não entender seu sucesso cult e sua importância tardia. Era também contra a mensagem política que filmou e se declarou 50% culpado por ela. Deixou uma obra de grandes visuais, grande trilha sonora e revolucionou efeitos especiais na época. É pena que não viu sua influência mais famosa.

C-3PO e R2-D2 em arte de Ralph McQuarrie. Esta é a pintura que convenceu Anthony Daniels a viver o robô dourado.

Nota: A palavra robô, a mais genérica possível, havia surgido apenas 5 anos antes da publicação do livro, na peça russa R.U.R., que significa Rossumovi Univerzální Roboti (Robôs Universais de Rossum, em tradução livre) e os roboti da peça eram feitos de matéria orgânica sintética, muito mais próximos do que hoje vemos como clones do que robôs, como os replicantes de Blade Runner ou os cylons humanoides de Battlestar Galactica. Androide já existia desde o século XIX, porém só se popularizou realmente na década de 1930 e, etimologicamente, se refere apenas a robôs humanoides masculinos – o termo feminino correto é ginoide. E, acreditem ou não, dróide é uma marca registrada da Lucasfilm!

Mestre Yoda

Mestre Yoda na verdade se chama Jair e é um engenheiro nerd que se pudesse ganharia dinheiro com Star Wars. Como não pode, fica enfiado nos detalhes do Universo Expandido e das obras para telinha da saga o máximo que pode. Só vê uma possibilidade de Star Wars ser melhor do que é: The Beatles como trilha sonora!