contato@jedicenter.com.br
Luke

Como os Episódios V, VI e VII explicam o Luke do Episódio VIII?

O Luke Skywalker de Os Últimos Jedi não é o mesmo de O Retorno de Jedi. Nem é o mesmo do antigo Universo Expandido Legends. mas ele deixa de ser Luke Skywalker? Siga-nos nessa análise dos roteiros dos Episódios V, VI e VII para entender esse velho rabugento do VIII!

Deveria ser óbvio, mas… SPOILERS!

Nós aqui gostamos muito desse texto, ele tem uma análise do ponto de vista do crescimento do personagem, tomando como base os Episódio V e VII, com pitadas do VI, para explicar como o Luke do Episódio VIII faz sentido. Esperamos que torne a sua próxima vez de ver o filme uma nova experiência – independente se você gostou ou não do que viu:

Artigo original: Luke Skywalker’s Arc in ‘Star Wars: The Last Jedi’ – Big Shinny Robot

Por: Bryan Young

Traduzido por: Jair Yoda

Revejo The Empire Strikes Back e eu acho que é evidente que não havia outra escolha para Luke Skywalker em The Last Jedi, dados os eventos de The Force Awakens. Toda a premissa de The Empire Strikes Back é que Luke Skywalker pode sentir Han e Leia em perigo antes de acontecer do outro lado da galáxia e larga tudo para salvá-los.

O que faz a maior pergunta em The Force Awakens, para mim, “Por que Luke não salvou Han?”. Não é Snoke, nem os pais de Rey, nada do tipo. Por que Luke Skywalker deixou Han Solo morrer?

A maior pergunta do Episódio VII não é Snoke, nem os pais de Rey: Por que Luke Skywalker deixou Han Solo morrer?

Luke é o mistério central de The Force Awakens. A frase inicial do letreiro é “Luke Skywalker desapareceu”. A cena de fechamento foi que Rey o encontrou. O filme está implorando-nos para fazer essas perguntas sobre Luke. Por que nos deixamos ser desviados por Snoke e pelos pais de Rey?

Por causa de Empire e The Force Awakens, não creio que Rian Johnson poderia ter feito qualquer outra coisa com Luke Skywalker e ter feito sentido. Havia pequenas variações que poderiam ter sido feitas, com certeza, mas os grandes golpes do que Johnson nos deu são praticamente inevitáveis. Eu esperava que Luke jogasse o sabre na primeira vez que eu vi o filme. Esse é o problema dele. Eu estava no vagão do “Luke está se voltando para o movimento não-violência” por um tempo. Mas fiquei furioso a primeira vez que o ouvi dizer: “Onde está Han?” COMO ASSIM? Eu percebi que tinha que haver uma razão para isso … Minha paciência valeu para o que eu acho um dos momentos mais sinceros e impressionantes do filme: quando Rey percebe que Luke se cortou da Força. [Nota do tradutor: Rey fala isso no final da cena de meditação dela, onde ela fala que não sentiu a Força vindo dela e conclui que ele se cortou da Força.]

Aqui temos o usuário mais poderoso da Força na galáxia forçado a se cortar de todo o instinto que ele tem por temer que ele fará a galáxia mais mal do que o bem. Do ponto de vista de Luke, essa abstinência da Força é heroica. Outro expurgo Jedi torna-se impossível. A perspectiva do público não tem sido tão simpatizante. Mas este também é um dos temas centrais de The Last Jedi: que todos nós podemos perceber o mesmo exatamente de uma maneira diferente.

Não estou apenas falando sobre a sequência de Rashomon (o que pensei que era um filme brilhante), mas a visão de Rey e Kylo compartilhava e discutiram sobre no elevador. Eles viram o mesmo e chegaram a conclusões diferentes sobre o que seria esse resultado. [Nota do tradutor: Eu não notei na primeira vez que vi o filme, apenas na segunda, mas ambos viram a cena de luta dos dois contra os guardas pretorianos e enquanto Rey concluiu que Ben Solo voltaria para a luz, Kylo concluiu que Rey iria para o lado negro. E eles comentam isso no elevador, um dizendo que viu o futuro do outro.]

“Sempre em movimento é o futuro”, dizia o mestre Yoda.

Mas vamos falar sobre a sequência de Rashomon. Porque, para mim, é isso que fez Luke o MENOS Luke e o MAIS do Luke e quanto mais eu assisti-lo, mais me corta o coração das melhores maneiras. No caso de alguém não ser familiar, Rashomon é um filme inovador de samurai de 1950, de Akira Kurosawa, que sempre foi uma influência intensa de Star Wars. Ele conta o conto de um assassinato em um prado de três perspectivas diferentes. O filme nunca nos oferece uma verdade objetiva sobre o que aconteceu, simplesmente permite que os narradores sejam tão confiáveis ​​ou não confiáveis ​​quanto o nosso ponto de vista permitir.

Rashomon de Akira Kurosawa é a inspiração para as três versões de uma noite: Como Luke queria, como Kylo entendeu e como foi.

Nosso primeiro vislumbre do tríptico “Rashomon” em The Last Jedi vem quando Luke explica que ele sentiu o lado negro em Ben. Ele foi confrontá-lo sobre isso e isso não ocorreu bem. Nenhum sbre estava em jogo. É assim que Luke DESEJA que teria ido, acima de tudo. A segunda versão é da perspectiva de Ben. Naturalmente, ele é o herói desta versão. Luke praticamente tem os olhos de Sith e seu sabre-de-luz verde é quase um amarelo doentio. Do ponto de vista de Ben, Luke absolutamente chega para assassiná-lo . Não há dúvida em sua mente. E então, pela terceira vez, recebemos a versão de Luke. Uma mistura dos dois com muitas máscaras de cinza. E, pelo meu dinheiro, a versão da história que eu acredito. E é o que penso mais verdadeiro para o personagem de Luke.

Luke vai verificar Ben e a escuridão que cresce dentro dele. Esta checagem de bem-estar já é cheia de auto-dúvida. Luke, como toda pessoa criativa ou heroica que já conheci, sofre de síndrome de impostor. Assim como a de Obi-Wan. [Nota do tradutor: Síndrome de impostor é uma síndrome em que, não importando o nível de sucesso alcançado em sua área de estudo ou trabalho, ou quaisquer que sejam as provas externas de suas competências, as pessoas ficam convencidas de que não merecem o sucesso alcançado e que de fato são nada menos do que fraudes. Existem estudos mostrando que ela é comum em níveis acadêmicos de mestrado e doutorado. 70% das pessoas passarão por isso ao menos uma vez na vida.]

E aqui ele vê uma escuridão maior do que qualquer coisa que ele poderia ter imaginado. E um futuro em que todos os seus entes queridos são mortos e a ordem Jedi com que ele se importou queimando no chão. O que aconteceu a última vez que ele foi confrontado com uma imagem dessas? Na última vez que aconteceu, ele estava no salão do trono do Estrela da Morte [em Return of the Jedi] e Vader provocou-o com essa visão do futuro e ele perdeu o controle. Ele acendeu o sabre-de-luz instintivamente e lutou. Com fúria e raiva. Mas ele se afastou de fazer o que ele jurou que não faria: matar seu próprio pai. Então, ele lança seu sabre-de-luz e diz, essencialmente: “me mate se você precisar, mas morrerei como um Jedi”.

Agora, ele vai para a cabana de Ben e vê esse futuro novamente. E, como antes, seu sabre acende-se. E isso é surpreendente para ele. Ele está instantaneamente envergonhado de si mesmo e deve lidar com a conseqüência dessa consideração feita em uma fração de segundo. Nós sabemos que ele NUNCA matará seu sobrinho. Ben não. Alguns disseram que Luke não consideraria isso de novo, mas enfrentar o lado negro de si mesmo não é “uma vez e está acabando”. É uma constante. Nós aprendemos e nós crescemos e nós constantemente temos que reavaliar isso.

E aqui é onde Luke decidiu que era finalmente a coisa certa para a galáxia acabar com os Jedi e sair da Força. Porque esses ciclos de violência acontecerão entre o bem e o mal, lutando pelo poder. E a constante, na visão de Luke, era os Jedi. [Nota do tradutor: essa visão já foi a motivação de vários personagens, Jedi ou não, no antigo Universo Expandido Legends.]

O fracasso deles. A hipocrisia. A arrogância. Se eles estivessem fora do campo de jogo, não haveria Vader. Ou Kylo Ren. Então, em vez de voltar e treinar NOVOS Jedi para derrubar seu sobrinho, ele simplesmente termina o ciclo. Violência gera violência e Luke não participaria mais.

No duelo final, Luke pode manter a sua filosofia de não-violência e ainda inflamar a galáxia com sua lenda.

E é por isso que adoro o fim do filme. Luke finalmente aprendeu com seus erros. Ele poderia manter a sua não-violência, mas ainda deu um exemplo que iria inflamar a galáxia. É por isso que seu sabre nunca toca Ben durante a luta. É uma 100% uma evasão. Ele perdeu a compreensão do valor da lenda de Luke Skywalker, mas Rey o ajudou a encontrar essa compreensão novamente. E ele poderia novamente acreditar em si mesmo. E nos Jedi.

Na minha perspectiva, dada a falta de ação de Luke em The Force Awakens, esta é a ÚNICA coisa que poderia ter sido feita com ele. E por isso que abracei tanto o arco. Eu amo isso. Você não precisa gostar, mas este é o Luke que eu vi lá em cima. E quando ele tem seu momento heroico em Crait e no pôr-do-sol binário … É uma obra perfeita para seu personagem, dada a volta que o universo e o cânone deram.

Mestre Yoda

Mestre Yoda na verdade se chama Jair e é um engenheiro nerd que se pudesse ganharia dinheiro com Star Wars. Como não pode, fica enfiado nos detalhes do Universo Expandido e das obras para telinha da saga o máximo que pode. Só vê uma possibilidade de Star Wars ser melhor do que é: The Beatles como trilha sonora!