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As impressões equivocadas de Star Wars: Os Últimos Jedi

Passados dez anos desde o último Star Wars nos cinemas, o Despertar da Força chegava em dezembro de 2015 com a missão de resgatar a saga de George Lucas, sob comando inédito da Disney. Conforme o esperado, o longa-metragem dirigido por J.J. Abrams foi um sucesso de bilheteria, e agradou grande parcela dos fãs. Ainda assim, algumas críticas negativas também surgiram, especialmente relacionadas a semelhança do Episódio VII com Uma Nova Esperança.

Durante os dois anos entre o Despertar e Os Últimos Jedi, muito se comentou sobre as expectativas que o enredo deveria cumprir. Boa parcela do fandom fomentava teorias sobre a origem do Supremo Líder Snoke, bem como quem seriam os pais da jovem Rey. Além disso, conforme já mencionado, diversos espectadores desejavam ver um filme mais original, livre da fórmula estabelecida na primeira trilogia.

Após uma espera angustiante, tendo felizmente Rogue One: Uma História Star Wars no meio do caminho para nos livrar da ansiedade, o Episódio VIII enfim chegou. E junto dele, os debates e análises de sua qualidade e impacto na linha do tempo, de modo especial na trilogia atual planejada pela LucasFilm. Entretanto, a discussão trazida dessa vez é bastante diferente, e foi o que motivou a criação deste texto.

Primeiramente, alerto a todos que os parágrafos adiante possuem spoilers. Se você não assistiu ao filme, volte aqui mais tarde. No demais, antecipo que Os Últimos Jedi realmente é uma obra cinematográfica feita para incomodar e tirar acima de tudo os fãs de Star Wars do conforto. Já estou dizendo isso antes da conclusão por um motivo: a princípio, numerosos fãs detestaram o longa. Note que “detestaram” recebeu uma evidência porque é justamente o que aconteceu, e de certa maneira, para mim, foi algo inesperado. É comum que parte do público goste, e outra nem tanto. Mas nessa situação, penso ter sido um choque enorme pela proposta da trama liderada por Rian Johnson.

Diante desse cenário exemplificado, dividi a publicação em tópicos que julguei interessante abordar, vários dos quais tornaram-se polêmicos nas impressões vinculadas ao Episódio VIII. Cabe frisar que não venho aqui analisar o filme por completo, mas sim determinados fragmentos relevantes para a questão sugerida.

Cumpra o seu destino

Oh, Snoke. Que fim trágico você recebeu!

Alvo de milhares de especulações, o líder da Primeira Ordem acabou sendo enganado por seu próprio aprendiz: Kylo Ren. Talvez, seguidamente da revelação que Darth Vader era o pai de Luke Skywalker em o Império Contra-Ataca, esta tenha sido uma das maiores reviravoltas presenciadas na galáxia muito, muito distante.

Simplesmente, todas as conjecturas sem fundamento de quem seria Snoke caíram por terra. E isso é maravilhoso, pois no final das contas, sua presença não se configurava como primordial nesta nova trilogia. Pelo contrário, o verdadeiro protagonista aqui é Ben Solo.

O filho de Leia e Han, juntamente da heroína interpretada por Daisy Ridley, são o coração da história pós Retorno de Jedi. Eles que estão presentes para evoluir a saga, leva-la rumo a direções jamais vistas. Saber quem é o Supremo Líder Snoke sempre foi totalmente irrelevante nesse contexto. Obviamente, abrindo espaço para minhas vontades como fã, as quais acredito que pertençam similarmente a você leitor, eu desejo conhecer o personagem de Andy Serkis.

Porém, Os Últimos Jedi nos mostra a importância de engrandecer um vilão em construção como é Kylo Ren. Na cena em que ele ludibria o seu Mestre, não é somente a evolução de seus poderes e a ganância de Snoke os quais são questionados. Mas também o quanto Kylo está disposto para alcançar o poder, abandonando para isso o passado: os Jedi, Sith, Snoke, absolutamente tudo.

Voltando nossas atenções em Snoke, não hesito dizer que mais cedo ou mais tarde descobriremos quem ele é de fato. Entretanto, fica impossível afirmar se isso será feito no próprio Episódio IX, nos misteriosos três filmes de Rian Johnson ou talvez nos livros que constroem o atual universo expandido. À primeira vista, contar a respeito dele em algum romance parece ser a solução óbvia, e até mesmo que têm sentido. Afinal, questões políticas as quais circundam a trilogia e os trinta anos que separam o Retorno de Jedi de TFA estão sendo contados na literatura. Um bom exemplo disso é Legado de Sangue, escrito por Claudia Gray.

No entanto, mesmo com as diversas saídas possíveis, parte da crítica ainda atribui para o Episódio VIII a responsabilidade de ter dito quem é Snoke. Novamente, vejo de um jeito oposto. Os capítulos clássicos de George Lucas não explicaram a figura do Imperador. Aliás, mesmo com a trilogia prequel, pouco ficamos sabendo da vida de Palpatine. Posso estar enganado, mas apenas o antigo universo expandido, a partir do livro Darth Plagueis, explicou a origem do Sith e seu antigo Mestre. Apesar disso, não vejo a situação como um ponto fraco nem da primeira trilogia, e muito menos da segunda. Assim como agora, nas décadas de 1970 e 1980, outros personagens mereciam mais o cuidado e desenvolvimento do que Darth Sidious.

Complementando, a morte de Snoke foi central para que Os Últimos Jedi se distanciasse do Episódio V, e consequentemente o IX se afastasse do que vimos no Retorno de Jedi. Isso porque, caso o Supremo Líder continuasse sendo o ser mais poderoso, Kylo Ren permaneceria como um cão na coleira, submisso ao seu Mestre. Darth Vader, ainda que fosse temido e respeitável, era um capacho de Sidious. Além disso, Snoke seguramente só receberia destaque no último episódio desta trilogia, relembrando de modo considerável o Episódio VI. Para quem clamava tanto que o filme dirigido por Rian deveria se afastar dos clássicos, e avançar em relação ao Despertar da Força, esse fato atendeu maravilhosamente a espera.

Portanto, o falecimento de Snoke merece ser aplaudido, acima de tudo pela coragem em levar não só o longa-metragem, mas igualmente a saga para uma trajetória nova e incalculável.

Isso não vai acontecer do jeito que você pensa!

Luke Skywalker. Jovem que almejava viver uma vida fora de Tatooine, e acabou alcançando imensamente além disso. De Jedi inexperiente, o descendente de Anakin transformou-se em Mestre, evoluindo seus poderes pós Retorno de Jedi.

No término de o Despertar da Força, o público via Rey entregando o velho lightsaber azul para Luke. O personagem, encontrado em exílio, não proferiu sequer uma palavra. Tendo em vista essa conjuntura inquietante, o início do filme seguinte, ou seja, Os Últimos Jedi, passou a ser deveras aguardado, pois todos desejavam ver Skywalker transmitindo os conhecimentos adquiridos durante trinta anos passados. Contudo, mais uma vez, o Episódio VIII chutou as previsões para bem longe, e seguiu por outro caminho.

Atormentado pela destruição da nova Ordem que tentou construir, Luke recusou o pedido de Rey. Independente de depois ter abaixado sua resistência e ensinado algumas lições valiosas sobre a Força, Skywalker continuou deixando claro o desprezo pelos antigos Jedi e a forma como agiam. Curiosamente, fomos apresentados ainda a um Luke que também se permitiu experimentar o lado sombrio, cogitando matar o seu sobrinho por sentir a escuridão nele.

Logo, o repúdio de Luke é coerente com o estabelecido na história. Os tormentos pelos quais ele passou, o sentimento de fracasso e a interação sombria lhe fizeram muito mal. Ser um “bom” Mestre nessa circunstância não faria sentido. Talvez, vários dos fãs que esperavam ver um Luke mais ativo, comprometido desde o início do filme, deixaram-se levar pela saudade, não analisando o contexto no qual ele vivenciou.

Deixe o passado morrer. Mate-o.

Se for preciso, é o único jeito de cumprir o seu destino.

Essas frases de Kylo Ren em Os Últimos Jedi são ótimas para traçar um paralelo com o assunto deste tópico: esqueça o que aconteceu antes da nova trilogia. Todavia, não leve a afirmação ao pé da letra.

De maneira semelhante as dúvidas ligadas ao Snoke, aguardava-se excessivamente que estes filmes explicassem certos quesitos: “Como a Primeira Ordem surgiu?”, “O que aconteceu com Luke desde o Episódio VI?”, “Por que a Resistência existe se a Nova República assumiu o poder?”, entre outras indagações.

Entretanto, claramente o Despertar da Força, Os Últimos Jedi e provavelmente o Episódio IX não responderão a maioria dessas perguntas. Olhando sem analisar muito, isso parece ser um erro grave de planejamento e roteiro. Mas pensando melhor, é uma decisão sábia, mas sobretudo necessária e que também possui seu lado financeiro, querendo ou não.

A escolha é sabia e necessária porque seria impossível retornar com os personagens antigos, inserir e desenvolver os novos, contar a trama atual e solucionar o passado apenas com três longas, os quais juntos devem totalizar por volta de seis horas. Além de atrapalhar a história que está sendo contada, criar brechas nos filmes para mostrar a origem do Snoke, ou como a Primeira Ordem despontou, tornaria o script incoerente, forçado e confuso. Inclusive, no caso do Supremo Líder, quem além do espectador possui interesse nele? Os personagens envolvidos no enredo, em grande parte, já o conhecem (Luke, Leia, Kylo Ren e até mesmo Han Solo).

Por fim, a decisão possui seu lado financeiro por todo o universo expandido que permeia Star Wars. Não é novidade há bastante tempo que a saga atingiu uma esfera multimídia, onde tramas adicionais são publicadas nos formatos de quadrinhos, livros, séries animadas e videogames. Como não poderia deixar de ser, a LucasFilm está se beneficiando disso para responder várias das perguntas citadas nesta postagem. Até por isso, particularmente, penso que não conheceremos nada do Snoke no Episódio IX. Mas é só um palpite.

Em um mundo ideal, concordo que seria perfeito que os filmes nos entregassem as soluções por completo. Contudo, pelas limitações já ditas, isso é impossível. As trilogias anteriores também não ofereceram todas as elucidações, e imaginar que agora seria diferente, definitivamente foi o pior equivoco que poderia ser elaborado em relação não somente a este filme, mas para toda a nova trilogia.

Um Jedi usa a Força para o conhecimento e defesa, nunca para o ataque

Star Wars: Os Últimos Jedi não é perfeito, assim como qualquer produção da saga. Os acertos e erros ainda serão explorados em nossa análise, mas creio que este texto tenha sido válido para uma melhor compreensão das impressões equivocadas que o longa-metragem sofreu após sua exibição. Gostar ou não continuará sendo algo pessoal, e consoante comentado no início, a intenção do artigo está longe de mudar opiniões.

E que venha o Episódio IX!

Lucas Dirani

Fanático por Star Wars desde os 6 anos, teve o seu primeiro contato com a saga assistindo os filmes da trilogia clássica e jogando Super Star Wars de SNES. Atualmente escreve para o site Jedicenter e coleciona todos os materiais da franquia, desde livros/HQs até action figures.